Tomie Ohtake e Manabu Mabe juntos na Cassia Bomeny Galeria

A Cassia Bomeny Galeria de Arte, em Ipanema, promove, nesta quarta-feira, dia 13, às 18h, o vernissage da exposição "Tomie + Mabe", que reúne dois expoentes da arte abstrata informalista nipo-brasileira. A mostra poderá ser visitada até 25 de março.

"Sem título" (1985), de Tomie Ohtake.

A importância dos artistas abstratos informalistas nipo-brasileiros há muito é objeto de estudos e análises históricas. Suas caligrafias marcantes distinguem suas linguagens de outros grupos, que adotaram a abstração informal no Brasil e no mundo, os afastando em especial do tachismo europeu.

Nesse contexto estético-histórico dois grandes nomes se destacaram, um pelo pioneirismo e sucesso, e outro pelo rigor de sua produção e pela organização de sua obra em blocos, que foram reproduzidas em mais de uma dezena de livros, além de perpetua-la no instituto que leva seu nome.

A exposição organizada pela Cassia Bomeny Galeria de Arte reúne um significativo acervo de obras dos maiores expoentes desse movimento de forma livre e bela.

Manabu Mabe (1924-1997), nascido em Kumamoto, no Japão, imigrou para o Brasil juntamente com sua família, que se dedicou ao trabalho na lavoura de café no interior do Estado de São Paulo. Em 1945, na cidade de Lins, aprende a preparar as telas e as tintas com o artista Teisuke Kumasaka. Sua grande sensibilidade e criatividade o conduziram para sua definitiva opção de vida como artista. Na mesma época, já em São Paulo capital, integrou-se ao Grupo Seibi e participou de exposições com esses artistas.

No inicio dos anos 50 se aproximou do Grupo Guanabara, evoluindo sua linguagem da figuração para o abstracionismo informal. Nessa caminhada, Mabe incorporou alguns elementos da figuração, agora não mais representativa, mas como unidade de suas criações.

Em 1958 recebeu o Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, e no ano seguinte foi homenageado pela revista Time, de Nova York, com o artigo intitulado The Year of Manabu Mabe.

Na quinta Bienal internacional de São Paulo, recebeu o prêmio de melhor pintor nacional, e o prêmio de pintura na primeira Bienal de Paris, em 1986. No mesmo ano realizou uma retrospectiva de sua obra, com lançamento de seu livro, referência de seu trabalho.

Tomie Ohtake (Kioto, Japão, 1913-São Paulo, 2015) chegou ao Brasil em 1936, fixando-se em São Paulo. Em 1952 iniciou seus interesses pela pintura por meio do artista Keisuke Sugano. No ano seguinte, também integra-se ao Grupo Seibi, em que já participavam Manabu Mabe, Teikashi Fukushima, Flavio-Shiró e Tadashi Kaminagai, entre outros. Tomie definiu-se rapidamente pelo abstracionismo, pesquisando diversas linguagens sobre papel. Desses exercícios surgiram suas primeiras pinturas de formas orgânicas.

Na década de 60, Tomie viaja para os Estados Unidos e se depara com os trabalhos do Russo Mark Rothko. De volta ao Brasil, desenvolve uma série de criações sob essa inspiração. Nas décadas seguintes, aumenta a leveza das linhas e a intensidade das cores, demarcando sua obra em fases.

Dedicou-se também à escultura e realizou muitas delas para espaços públicos de diversas cidades do Brasil e do mundo. Em 1995 é agraciada com o Prêmio Nacional de Artes Plásticas do Ministério da Cultura, pelo conjunto de sua obra. Em 2000 é criado o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.


A Cassia Bomeny Galeria fica na Rua Garcia D'ávila 196, em Ipanema.


Fotos: divulgação