Santa Teresa recebe mais uma edição do Circuito Oriente

Neste sábado, dia 06, o bairro de Santa Teresa receberá mais uma edição do Circuito Oriente, que articula sete mostras inéditas em aberturas simultâneas, movimentando os espaços Cine Galeria, Estudio Dezenove, Canto da Carambola, Ateliê dos Artífices, Qtraz, Labproa252 e Casa Amarela, em busca de uma nova dinâmica para o setor.


O projeto é um esforço coletivo de mútua cooperação entre os espaços expositivos que promovem uma pauta na arte contemporânea, com programa claro, de conceitos bem definidos, textos concisos e de fácil entendimento para o público, buscando estimular o visitante a conhecer um pouco mais sobre o que vem se desenvolvendo no campo das artes visuais, além de debates com os artistas e curadores no decorrer do mês de julho.

João Duarte Waddington

A programação está resumida no guia-passaporte, sucesso na edição de abril, que agora outra vez é publicado para orientar o público. Ao ver todas as exposições, o visitante passa a concorrer a prêmios, como uma gravura original, vale compras no valor de R$ 150 na Loja La Vereda, ou um jantar completo para duas pessoas no restaurante Espírito Santa.


O Circuito Oriente é coordenado por Julio Castro, artista visual e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com trajetória de exposições no Brasil e no exterior, em parceria com a arquiteta, mestra em Gestão do Espaço Urbano e artista visual Ana Prado.

Ju Mendonça

A Cine Galeria, recém inaugurada no foyer do Cine Santa, será ambienta com a exposição "Fotograma por Fotograma". Com curadoria do fotógrafo Wilton Montenegro, a mostra ativa o espaço da galeria e tem como mote aspectos da obra da cineasta Agnès Varda, recentemente falecida, e considerada uma das precursoras do movimento "nouvelle vague". Nove jovens artistas oriundos de faculdades de arte e que começam a se destacar no atual panorama da arte abordam a relação entre o cinema e as artes visuais.

Pedro Paulo Domingues

No Estúdio Dezenove acontecem as exposições OVNIs - Objetos Visuais Não Identificados dos artistas Marco Cavalcanti e Pedro Paulo Domingues e com curadoria de Osvaldo Carvalho; e Espessa Transparência, de Hélio Fervenza, no Projeto Vitrine Efêmera, com curadoria de Gê Orthof, além do conjunto de gravuras do artista EBER JC, fruto de sua residência dentro do programa de intercâmbio realizado pelo Estúdio Dezenove com artistas mexicanos.

EBER JC

No Canto da Carambola, o artista Flávio Santos traz "Destruição & Construção", em que o artista divide um repertório de imagens em fragmentos (destruição) e reordena esses fragmentos em novas e diferentes imagens (construção). Ele as reúne com o auxílio de diversas mídias: fotografias publicitárias, de internet, de viagens e fotografias que produz e as conduz em um novo arranjo para sua pintura.

Flávio Santos

Já no Ateliê dos Artífices, Giraurbana, por Ju Mendonça, traz uma série de trabalhos que têm como predominância a cor preta, uma busca e questionamento sobre as imagens das entidades apresentadas no sincretismo. A artista afirma que para cada ser caminhante na cidade existem energias motivadoras e protetoras que acompanham nossos passos dia e noite, energias que são conhecidas e relacionadas aos Orixás.


O Qtraz chega com os Vôos Viscerais de Ana Clara Guinle, Claudio Partes, João Duarte Waddington e curadoria Bruna Serpa França. A mostra reúne o trabalho de três artistas que ressignificam objetos selecionados, transformando-os formal e simbolicamente. Ana Clara Guinle abre as portas de seus jardins mais profundos mostrando pinturas que carregam elementos do universo feminino, de seus sonhos e experiências. Claudio Partes exibe a série Alfaiates de Asas, em que, por meio de objetos alados, faz uma crítica sociedade atual que objetifica seus sonhos e relações. Fechando a tríplice, João Duarte Waddington apresenta monotipias, trabalhos feitos a partir do uso de materiais encontrados ou doados, como sacos plásticos e panos de chão.

Mariana Paraizo

Trama chega ao Laboratório de Processos Artísticos (Labproa252) com Carine Caz Forte; Cecilia Cipriano - Derretimento de Certezas; Rodrigo Pinheiro – Efeméridas, com curadoria de Gabriela Mureb.


Na Casa Amarela, Intervalo, de Deborah Costa, a partir de croquis de pessoas desconhecidas em trânsito, nas ruas, ônibus, metrôs, trens, a artista forma um repertório de memórias que ganha lugar na pintura. Reverbera figuras únicas, suas expressões, seus olhares, interações. Nos inclui em breves momentos de espontaneidade, em outros tons. Esse Intervalo nos faz indagar o que acontece entre uma e outra parada, entre o desenho e a pintura, entre as pinturas, entre nós.

Deborah Costa