"Salva-Mata", de Fábio Baroli, pode ser vista até 08 de junho na Zipper

À primeira vista, a instalação de pinturas de Fábio Baroli na Zipper Galeria pode parecer uma abordagem naturalista de um artista que é reconhecido pela representação de cenas cotidianas do interior brasileiro e da figura humana. Na nova série de trabalhos, ele toma como ponto de partida as paisagens características da Mata Atlântica, visando uma construção poética a partir de referências de vegetações nativas do Brasil.

Porém, trata-se apenas do ponto de partida: em "Selva-Mata", primeira individual dele na galeria, Fábio Baroli usa a pintura como método para refletir sobre a ação antrópica no meio ambiente. Com texto crítico de Mario Gioia, a exposição, que foi inaugurada neste fim de semana, pode ser visitada até 08 de junho.


O artista cria uma paisagem inventada no andar superior da Zipper, um site specific que expande a pintura das telas às paredes do espaço expositivo. "O intuito é estabelecer a intercomunicação, por meio da arte, entre as complexas e sensíveis relações do ser humano e suas ocupações, em seu amplo sentido de posse, ofício e lugar", observa o Baroli.


Como é próprio no trabalho do artista, as pinturas revelam marcas de edição (montagens, colagens, intervenções e interrupções), que aludem à característica da editoração gráfica, afirmando uma das leituras do artista em relação à ação antrópica sobre o meio natural.


A escolha do tema na nova série se deu da perspectiva da redução dos espaços naturais, tendo como paradigma a drástica diminuição das áreas de Mata Atlântica ocorridas desde a colonização europeia até a atualidade. "No fundo, é uma paisagem humana, uma narrativa não linear. O olhar pode partir de qualquer ponto da instalação", comenta o artista.


Descendente do ramo genealógico iniciado no Brasil por Almeida Júnior (1850-1899), o trabalho do artista Fábio Baroli (Uberaba, 1981; vive e trabalha em São Paulo) expressa uma visão de mundo ancorada na vivência interiorana e no imaginário regional. Gêneros tradicionais — como retrato, paisagem e natureza-morta — se misturam à cenas do cotidiano do artista em pinturas com gestos bruscos e marcantes, em trabalhos que revelam marcas de edição (montagens, colagens e intervenções), características de programas digitais.


A apropriação e a referência da imagem fotográfica fazem parte do processo do artista. Vencedor dos prêmios Funarte de Arte Contemporânea (2011) e Marcantonio Vilaça (2013), o trabalho de Fábio Baroli consta em coleções como MAM Rio, Museu de Arte do Rio e Museu Nacional de Brasília.


Principais exposições individuais: Goliath, MuseumsQuatier, Viena (2017); Deitei pra repousar e ele mexeu comigo, CCBB Brasília (2016); Muito pelo ao contrário, CCBNB, Fortaleza (2014); Vendeta: a Intifada, Funarte, Recife (2013). Principais exposições coletivas: Contraponto, Museu Nacional de Brasília (2017); É tudo nosso, Casa da Cultura da América Latina, Brasília (2017); Vértices – Coleção Sérgio Carvalho, Centro Cultural Correios, Braslília, Rio de Janeiro e São Paulo (2015/2016); Prêmio Aquisições Marcantonio Vilaça, Museu de Arte Moderna MAM Rio, Rio de Janeiro (2013).


A Zipper Galeria fica na rua Estados Unidos 1494, no Jardim América.


Foto: divulgação