Reencontro com o Paraíso


Antes de contar, no proximo blog, sobre a visita de Benki ao Colorado, quero compartilhar a experiencia ímpar que tivemos em Aniwa, rezando pela natureza, com Paco Andino. Ele é um indio Inca, do Peru, mora em Cuzco e faz rezas e shamanismo em picos de 13000 feet nos Andes. Com outros, tem a missão de guardar o conhecimento milenar que vai ajudar a nos lembrar quem verdadeiramente somos, e re encarnar Aquilo que sempre existiu dentro de nós, ha muitos mil anos, quando , segundo eles, o homem vivia em total consciencia animista com todo o cosmos. Quando a humanidade passou desse estado unificado, centrado no coração, para uma postura mental regida pela separação, pelo mêdo, e pelo ego indivdualizado, os WisdomKeeepers, dentre os quais Paco Andino é um, se retiraram para lugares remotos para guardar os caminhos plenamente conscientes da vida , até o “final dos tempos”, quando as pessoas acordarão para lembrar-se de suas origens e novamente escolher a Verdade sobre o poder. Para eles, chegamos a essa junção e é agora que essa linha ancestral de Wisdomkeepers Andinos oferece `a humanidade um legado eco-espiritual para nos ajudar a ascender de nossas cabeças `a sabedoria do coração .

A presença de Paco Andino emana o bem-estar que transcende, do amor incondicional. Emana a humildade e intensidade dos anjos.. Ele me lembrou o que disse Kierkegaard, referindo-se ao Cavalheiro da Fé, personagem que imaginou de extrema simplicidade e humildade, bem na linha de Paco. O grande filósofo cristão, que criou o existencialismo, declarou que iria a qualquer parte do mundo em que soubesse poder encontrar o Cavalheiro da Fé. Tive a sorte de descobri-lo nesse Inca peruano das montanhas. Agradeço!



Participávamos do segundo Aniwa- encontro de líderes indigenas de países diversos- que este ano foi realizado no estado de Nova Yorque, no parquet Fishkill, antes de continuar, quero agradecer a Rudy Randa e Vivian Vilela, por realizarem este encontro, e trazer a sabedoria ancestral de vários “elders”para os Estados Unidos, como, no ano passado, para Ibiza.

Diante da crise do planeta e dos conflitos da própria civilização, grande parte dos americanos vem se tornando consciente de sua grande necessidade espiritual, e se abrindo a tradições místicas e a tipos de conhecimentos milenares,, radicalmente diferentes de toda a sua ciencia, tecnologia, e escravidāo aos processos exatos dessa mesma tecnologia. Nao é atoa , aqui em Boulder ja se brincou que todos se acham iluminados, ou sentem o compromisso de vir a se-lo.

Nossa abertura começou em 2008, ,nas visitas ao Brazil em que conhecemos algumas tribos de indios brasileiros, e através deles, Ayahuasca. Desde então, o movimento dos indios, e sua mensagem, pelo planeta, tem crescido e se desenvolvido na Europa e Estados Unidos. Para mim, isso é a realização de um sonho, pois desde aquela época, em que primeiro conheci alguns deles , suas plantas e práticas shamanicas, acreditei que trocas entre sua cultura e a do mundo occidental podem salvar o mundo.


A conetividade entre toda a criação original foi perdida com o dominio do pensamento estritamente racional, cientifico, e utilitario, que responde e dá origem ao desenvolvimento tecnólogico. Ironicamente, enquanto esse pensamento se desenvolve o melhor que pode na direçao de uma postura de alerta, atenção imediata, e do raciocinio mecanico que lida com a exatidao envolvida na eficiencia da comunicaçao digital, aquilo que chamamos de inteligencia do coração fica sem lugar, sem tempo, e sem solicitação. Tambem ironicamente, a comunicação que resulta da conetividade electronica só parece ter aumentado os conflitos globais, tornando o planeta pequeno demais para caber tantas diferenças radicais entre credos, culturas, formas de governo, e religiões. A consciencia animista , que por outro lado, tudo irmanava na sabedoria do coracao, no amor, por assim dizer, foi perdida.

Em nossa participacao na oração e oferenda de Paco Andino a terra, ao fogo, e ao ceu, senti, sem precisar do uso de qualquer planta psicoativa, a recuperação dessa consciencia animista, no estado de amor que esse indio Inca emana de si, na sua comunicação com a natureza (Pachamama) e com os elementos. A beleza de suas palavras, oferendas de flores, intençoes e pensamentos, não era maior, ou diferente, dessa que, invisivel e sublime, se transmitiu na humildade, delicadeza, e intensidade de Paco.

Senti-me em outra dimensão, como se tudo fosse perdão, liberdade, e reencontro com algo muito remoto, porém, intensamente presente. e sei que outros tambem sentiram o mesmo. Como dizia Marcel Proust : “Les vrais paradis sont les paradis qu’on a perdu.”

(“Os verdadeiros paraísos são os paraísos que perdemos”)

Wisdomkeepers rezam por toda a humanidade nos lugares sagrados dos Incas, nos Andes. Resgatam o sentido do sagrado, que tudo unifica, ao mesmo tempo que devolvem a cada um, na sabedoria do coração, e na consciencia do amor de Deus, o seu verdadeiro ser.

Sentir, para crer!