"Quimera" encerra calendário 2018 de exposições da Galeria do Lago

A Galeria do Lago, no Museu da República, encerra o ano com a exposição "Quimera", que reúne quatro artistas de três diferentes gerações. A mostra tem curadoria compartilhada de Isabel Sanson Portella com Ricardo Kugelmas, curador do espaço Auroras em São Paulo. Ana Prata, Bruno Dunley, Veío e Liuba Wolf expõem suas pinturas, esculturas.

Obra de Bruno Dunley.

Trata-se, primeiramente, de um diálogo de gerações em que a exaltação imaginativa em diferentes técnicas aparece como destaque. A Quimera mitológica, símbolo complexo de criações imaginárias do inconsciente, representa a força devastadora dos desejos frustrados, dos sonhos que não se realizam, da utopia e fantasias incongruentes. Monstros fabulosos alimentam, desde sempre, a imaginação do homem com devaneios necessários à expansão da alma.

"Biombo" de Ana Prata.

"O diálogo que se estabelece entre os quatro artistas resulta em uma mostra de identidades e poéticas que se aproximam enquanto falam de desejos e expectativas. Embora as práticas sejam distintas, existe a mesma procura pela excelência, pela abstração e simplicidade das formas. A eles interessa o prazer criativo, a 'brincadeira séria' e a liberdade de sonhar", avalia uma das curadoras, Isabel Sanson Portella, que também é diretora da Galeria do Lago.

Escultura de Liuba Wolf.

Inserida na tradição da escultura moderna desde os anos 1950, Liuba Wolf é considerada uma das pioneiras entre as artistas mulheres que se dedicaram à arte de esculpir. Inicialmente figurativa, a artista passou, a partir dos anos 1960, por uma significativa mudança formal que a levou à "quase abstração", tendo a figura do animal como referência. Suas obras, como a própria artista afirma, vêm do inconsciente e são uma "simbiose entre vegetal e animal".

Obra "Coloridos", de Ana Prata.

Artista sergipano dos mais destacados na arte popular brasileira, Véio utiliza a madeira para representar o seu olhar crítico sobre o homem e a vida no sertão nordestino. Transforma restos de troncos da beira do rio em esculturas coloridas, seres imaginários e personagens místicos que surgem das histórias de assombração ouvidas na infância. O universo de Véio, autodidata e muito enraizado em sua terra natal, é povoado pela tradição popular que o faz perceber o poder da transformação e da luta pela forma pura.

Obra de Bruno Dunley.

Ana Prata entende a pintura como meio de experimentação e linguagem. Seus trabalhos apresentados em Quimera trazem algumas propostas bastante significativas nesse diálogo de gerações e lugares de fala. A procura pela liberdade, o prazer criativo e a imaginação são pontos em comum nos quatro artistas selecionados. Para Ana Prata é importante variar, criar sempre algo novo para que outros sentimentos aflorem. Sua obra está aberta a novas propostas e respostas. E é sempre no olhar do expectador que a narrativa se completará.

Escultura de Véio.

A prática de Bruno Dunley é voltada para a abstração gestual, sem, entretanto, perder o foco na representação dos objetos. Para ele existe uma mudança fundamental na função da imagem que deixa de ser forma única de apresentação de uma ideia. As cores utilizadas, delicadas mesmo quando as imagens são violentas, aparecem ora em manchas, ora como fundo para os desenhos. Quase sempre há uma cor predominante, pastel seco aplicado com vigor além de traços em carvão. Bruno não procura a beleza perfeita e absoluta, mas cada vez mais pensa em uma beleza possível, direta. Algo que faça o espectador apurar o olhar e criar sua própria experiência sensorial.


O Museu da República fica na Rua do Catete 153, no Catete. A exposição pode ser visitada até 24 de fevereiro.


Fotos: divulgação