Orgulho


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“Orgulho” é uma produção franco belga do diretor e também ator Yvan Attal (“Minha mulher é uma atriz”, de 2001 e “Viveram felizes para sempre”, de 2004) que estreiou no Festival Varilux de Cinema Francês 2018 e talvez seja um dos melhores filmes atualmente em cartaz e que vi nos últimos tempos. Primeiro porque trata de um tema atual, real e sério, pois aborda o preconceito e o racismo francês em relação a pessoas de origem muçulmana, aos negros e de uma forma mais ampla aos imigrantes em geral, mas apesar de se passar na França, poderia ser em qualquer outro país da Europa e vai muito além de qualquer fronteira. O próprio diretor é um cidadão franco israelense que nasceu em Israel, mas cresceu nos subúrbios de Paris, então certamente viveu na pele ou presenciou essa forte intolerância racial.



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O filme conta o embate de Pierre Mazard um professor arrogante e preconceituoso interpretado pelo ator Daniel Auteil que implica com uma aluna do Curso de Direito que chega atrasada em seu primeiro dia de aula. Neila Salah, vivido por Camélia Jordana, é uma francesa de origem Argelina, que vive no subúrbio de Creteil e é abertamente discriminada pelo mestre na frente de toda a classe por questões de raça, aparência, roupas e linguajar.


A agressão verbal acaba sendo filmada por outros alunos e o caso vai parar nas mãos do reitor da Universidade que exige que o

professor tente limpar sua imagem para não ser expulso, em troca ele daria um treinamento especial à aluna para que ela representasse a Instituição num concurso de retóricas.


De início a relação de ambos é visivelmente conturbada e provocativa, mas aos poucos o professor instiga a aluna a prosseguir nos estudos e a faz navegar e aprofundar-se pelos 38 estrategemas de Schopenhauer, do livro “A arte de ter razão”. Assim, Neila acaba por dominar a técnica da persuação e é eleita para representar a Universidade, mas ao descobrir que estava sendo manipulada e usada como uma forma de retratação, quase desiste de tudo. Magoada com o professor fica dividida e terá que decidir se irá acusá-lo ou absolvê-lo das ofensas iniciais pela qual passou, na junta que irá julgar a conduta do mestre.



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Camélia Jordana obteve o César 2018 de Melhor Atriz Revelação, o oscar do cinema francês. O veterano Daniel Auteil também está muito bem no papel do polêmico professor e integram ainda o elenco Yasin Houicha, Nozha Khouadra, Nicolas Vaude e Jean-Baptiste Lafarge.


O próprio diretor Yvan Attal refere-se a seu filme como uma dramédia, uma comédia dramática que consegue arrancar algumas risadas, e ao mesmo tempo aborda questões político sociais importantes, mas tudo isso de uma forma bem leve, movimentada e positiva, que prende a atenção com frases filosóficas e que faz do longa diversão garantida pra todos os públicos.


Por Ula Pancetti.


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