Mostra de Ermanno Stradelli ocupa o Museu Histórico Nacional no Rio

Ao chegar à cidade de Manaus (AM), em 1879, o jovem italiano Ermanno Stradelli não imaginava a vida de aventuras que teria pela frente. O viajante e pesquisador, que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo das culturas indígenas da Amazônia brasileira do século XIX, é o tema da exposição fotográfica e documental "Ermanno Stradelli – fotógrafo pioneiro na Amazônia", que ocupa o Museu Histórico Nacional até 28 de fevereiro.



Realizada pelo Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro e pelo MHN, a mostra tem curadoria Milton Guran, fotógrafo e antropólogo, e Lívia Raponi, autora do livro "A única vida possível. Itinerários de Ermanno Stradelli na Amazônia" e de uma tese de doutorado sobre Stradelli. A mostra tem ainda o apoio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), da Sociedade Geográfica Italiana e do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.


Com cerca de 50 ampliações fotográficas, a exposição evidencia o caráter pioneiro do trabalho de Stradelli ao registrar os primeiros contatos entre índios isolados e o Estado brasileiro - como no caso da Missão de Pacificação dos

Chrichanás (1884), precursora das expedições indigenistas do século XX.



"A abordagem de Ermanno Stradelli ainda hoje impressiona pela sua atualidade. Ela é correta do ponto de vista antropológico e baseada em valores humanistas, que o leva a considerar costumes, saberes e modos de vida dos índios como alternativos e nunca inferiores aos ocidentais, o que para as concepções da sua época (século XIX) era uma posição inovadora”, aponta a curadora Lívia Raponi, especialista na obra de Stradelli e também diretora do Instituto Italiano de Cultura do Rio.


"Stradelli, que certamente já conhecia o valor inestimável do registro fotográfico,

superou todas as limitações técnicas e as dificuldades operacionais impostas, e

conseguiu fazer as primeiras imagens que se tem notícia de indígenas no seu

habitat natural. Também foi o pioneiro a revelar suas imagens no campo, uma

imposição do processo fotográfico disponível naquele tempo", complementa o cocurador Milton Guran.


Enriquecida por documentos originais provenientes do acervo do IHGB, como o

original do mapa do Amazonas (1901) e publicações da época de Stradelli, a exposição amplia sua dimensão iconográfica e reforça o caráter histórico e científico da empreitada de Ermanno Stradelli. "Trata-se de uma oportunidade especial para chamar atenção para a história da Amazônia e de suas comunidades indígenas, contribuindo para pensar o Brasil dos dias de hoje",

enfatiza o diretor do MHN, Paulo Knauss.


O Museu Histórico Nacional fica na Praça Mal. Âncora s/n, no Centro do Rio de Janeiro.


Fotos: ©Archivio Fotografico Società Geografica Italiana