MIMO Paraty 2018 traz Letrux, Cordel do Fogo Encantado e os colombianos do Systema Solar

Nos dias 28, 29 e 30 de setembro, a cidade de Paraty receberá o MIMO Festival 2018, festival de música do Brasil apresentado pelo Bradesco e Ministério da Cultura. Totalmente gratuito, o projeto multicultural, que nasceu em Olinda há 15 anos, já reuniu 1,5 milhão de pessoas e cerca de 3,5 mil artistas. Durante três dias, Paraty vai receber mais de 20 atrações, entre shows, concertos, filmes inéditos, poesia, fórum de ideias e workshops.

Os palcos da Igreja Matriz Nª Sª dos Remédios e da Praça da Matriz receberão artistas diversos como: o grupo colombiano Systema Solar; os pernambucanos do Cordel do Fogo Encantado; a baiana Virgínia Rodrigues; e os músicos do Songhoy Blues, grupo que vem do Mali e faz apresentação inédita no Brasil. Completam o lineup de Paraty a artista carioca Letícia Novaes, com o seu Letrux, e um dos artistas vencedores do Prêmio MIMO Instrumental.

Diante de um dos mais difíceis cenários para a produção cultural brasileira dos últimos anos, o MIMO também tem a sua realização afetada em 2018. A apresentação da cantora francesa Camille, prevista para o palco principal da cidade, teve que ser cancelada em virtude da instabilidade econômica, cambial e política do Brasil e a descontinuidade de patrocínios já tradicionais ao festival.

Ainda assim, o MIMO Paraty traz em paralelo à programação de concertos, uma das melhores safras do cinema musical nacional dos últimos tempos, com filmes sobre grandes personagens como o Ultraje a Rigor, os músicos Marcelo D2 e Planet Hemp, Lanny Gordin e muitos outros. Uma prova que a crise não afeta a criatividade. No total, foram 30 produções selecionadas entre as mais de 180 inscritas, para serem exibidas nas edições de Paraty, Rio de Janeiro, São Paulo e Olinda. A edição do Festival MIMO de Cinema, em Paraty, pela primeira vez ocupará o recém-inaugurado Cinema da Praça exibindo nove filmes inéditos. O público poderá assistir os longas-metragens “Ultraje”, de Marc Dourdin, “Semente da Música Brasileira”, de Patrícia Terra, “Inaudito”, de Gregório Gananian, e “Legalize Já – Amizade Nunca Morre”, de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé. Para o público infanto-juvenil, o festival escalou a animação, “Os Under Undergrounds, o começo”, de Nelson Botter Jr.

A tradicional Chuva de Poesia vai homenagear Hilda Hilst, autora brasileira de mais de 40 títulos de poesia, teatro e ficção. Trechos de sua obra cairão “do céu”, promovendo o encontro do público com gotas de literatura que retratam a vulnerável condição humana.


No campo do pensamento, o Fórum de Ideias discutirá temas como O Canto como força no protagonismo feminino negro, tendo como palestrante a cantora Virgínia Rodrigues e A cultura Sound System da Colômbia: arte, tecnologia e liberdade, com o grupo Systema Solar. Mediadas pela jornalista Chris Fuscaldo, as palestras abordam as trajetórias artísticas dos participantes, fortemente marcadas pela resistência e pelo diálogo político-social.


“Nesses quinze anos, o MIMO sempre foi um festival pautado pela resistência de quem aposta na cultura, na luta pela valorização da diversidade musical, dos novos talentos e dos já consagrados. Por isso seguimos adiante e celebramos nossa trajetória, mesmo diante de tantas adversidades como a da edição deste ano. Nunca se produziu tanta gente boa como agora, novos nomes. O que está muito mal é a questão dos investimentos em cultura, e que precisa mudar para a sobrevivência do setor”, resume a diretora geral do projeto, Lu Araújo.


Na música, o MIMO Paraty traz a oportunidade única do público conhecer artistas que se apresentam pela primeira vez no país, como a mistura de blues do deserto, hip hop e rock do Songhoy Blues, grupo do norte do Mali, formado por Aliou Touré (vocal), Garba Touré (guitarra), Oumar Touré (baixo) e Nathanael Dembelé (tambores). O Songhoy Blues lança o seu segundo álbum, "La Résistance", trabalho que teve participações de Iggy Pop, do rapper britânico Elf Kid e das meninas do Stealing Sheep.


Na primeira noite do festival, o som psicodélico e dançante do grupo colombiano Systema Solar mistura vários estilos tradicionais colombianos, com ferramentas eletrônicas do hip hop, house e techno. Em seguida, uma das bandas de maior destaque da cena musical brasileira, os pernambucanos do Cordel do Fogo Encantado, que se reúnem novamente depois de oito anos separados e apresentam seu quarto álbum de músicas autorais, “Viagem ao Coração do Sol”. DJ Montano, artista residente no MIMO desde 2015, abre as noites do palco principal com seu som multicultural.


Comemorando 20 anos de carreira, a cantora Virgínia Rodrigues abre a segunda noite do MIMO Paraty na Igreja Matriz de Nª Sª dos Remédios com seu belo trabalho de preservação e resgate da cultura afro-brasileira. É a primeira vez de Virginia nos palcos do MIMO, com um show que reúne canções que contam sua história, desde ter sido descoberta por Caetano Veloso, no bando de teatro Olodum, até seu trabalho mais recente, Mama Kalunga (2015), elogiado álbum no qual entrelaça ritmos e sotaques para saudar a mãe África.


No palco principal tem Letrux, com o primeiro álbum solo de Letícia Novaes após o fim do duo Letuce (no qual cantava com Lucas Vasconcellos). “Letrux em Noite de Climão” foi eleito o Melhor Disco do Ano pelo júri do Prêmio Multishow 2017, após indicação ao lado dos trabalhos de Chico Buarque e Rincón Sapiência.


Fotos: divulgação