"Mamãe", de Álamo Facó, estreia neste sábado no Espaço Furnas

O autor, diretor e ator Álamo Facó retorna ao Rio para novas apresentações do espetáculo "Mamãe", com quatro sessões gratuitas, no Espaço Furnas Cultural, a partir deste sábado, dia 1º. Desde 2007, o artista desenvolve solos que cruzam narrativas de sua própria biografia com outras temáticas mais gerais que são exploradas.

A partir de histórias pessoais, seus trabalhos lançam novos olhares, provocam e dialogam com diferentes públicos. De "Talvez", seu primeiro solo, à "Trajetória Sexual", trabalho mais recente que estreou em setembro no Sesc Copacabana, muitos palcos já foram percorridos, com a realização de apresentações em sete diferentes países pela Europa e América Latina (Inglaterra, Escócia, Alemanha, Holanda, Chile, Argentina e Portugal).


O espetáculo "Mamãe", que estreou em 2015 e já passou por outros espaços cariocas e por muitos estados brasileiros, realiza agora apresentações inéditas no Espaço Furnas Cultural, concluindo as atividades de Álamo no ano de 2018.


No caso desse trabalho, o fator pessoal que influenciou e desencadeou na criação foi o falecimento da mãe do artista, a arquiteta Marpe Facó, que foi diagnosticada com um tumor cerebral. Durante o período de seu tratamento, Álamo vivenciou cem dias de uma verdadeira jornada emocional, estando sempre ao lado da mãe.


Após seu falecimento, Facó mergulhou em um processo de criação que chamou de "A Síntese do Relevante", em que nasceu o solo "Mamãe". Influenciada por artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Bruce Nauman, a peça não traz o drama exacerbado das histórias com essa temática, nem tampouco sua estética traz os tons pastéis de um hospital. A obra tem como prioridades o encontro com o espectador e a busca pelo ineditismo como possibilidade.


O espetáculo nasceu da necessidade de levar aos espectadores uma história real, sem sentimentalismos. "Apesar do tema, a peça é bem lisérgica, uma peça pró vida!", diz Álamo. Não se atendo a uma realidade documental, o texto dá voz à personagem Marta que, perdendo suas faculdades cerebrais, começa a expandir sua consciência a limites inesperados. "Eu sou o cérebro dela. Aqui a dramaturgia é usada como limite entre o ato e o teatro". O monólogo traz à cena os tabus que permeiam a morte, as variações do consciente e os limites do amor entre mãe e filho.


A temporada se estende até 09 de dezembro, aos sábados e domingos, às 19h. O Espaço Furnas Cultural fica na Rua Real Grandeza 219, em Botafogo. Entrada gratuita.


Foto: André Maceira