Jantando sozinha

A cada vez que vejo um comentário a este respeito, me pergunto: por que ainda estão falando nisso? Afinal, por mais que ache que tenho uma visão moderna sobre as coisas, ou a maioria delas, eu não posso ser tão moderna assim, ao ver uma mulher jantando sozinha num restaurante, ou ser esta mulher e achar normalíssimo.

Por que isto ainda é tabu? Por que ainda se fala tanto nisso ? A questão está sempre incluída em pautas de programas de opinião, é algo recorrente, sempre com muitos argumentos tentando justificar ambos os lados, embora eu ache que apenas um deve ser considerado. O que remete ao fato de uma pessoa do gênero feminino ter fome na rua ou vontade de entrar num restaurante e saborear uma deliciosa refeição.

Canso de fazer isso e não é de hoje, não. Há mais de vinte anos faço isso com regularidade diferenciada devido à realidade que estiver vivendo. Nunca me senti discriminada por isto, embora deva ter sido. Afinal, o assunto continua vivo.


Talvez minha realidade de filha única tenha me feito, naturalmente, fazer muitas coisas sozinhas, além das que faço acompanhada, e isso foi absorvido por meu dia a dia. Há muitos anos fui fazer um curso em Londres e depois de quinze dias na cidade, “desci” a Europa, terminando minha viagem três meses depois na Itália, lugar onde eu queria muito voltar, por razões de origem familiar.

Pois em todos estes dias eu entrei em restaurantes dos países pelos quais passei, sempre pedindo “Table for one, please”, e o resultado sempre foi dos melhores. Até na Itália, onde tive alguns problemas pelo machismo absurdo.



Hoje em dia existem até algumas muletas como o celular, por exemplo. A “vítima”, tão observada e com estranhamento, como todos dizem, pode se divertir com os inúmeros aplicativos, interativos ou não. Eu também lanço mão disso, mas só quando o entorno está chato ou eu curiosa na espera de alguma informação. Sempre adorei observar o comportamento humano, como as pessoas agem, se comportam, as personas… Depois de alguns anos de análise então, isso fica (ainda mais) delicioso. É bom ver como as pessoas agem, nas duas circunstâncias_ ou achando que você não está ali, que é invisível_ ou representando porque sabem que tem alguém por perto.

Termino sem ter uma resposta pra tanto blá blá blá em torno do tema, mas quis deixar registrado meu espanto e curiosidade do porque disto ser tão valorizado. Se você tem a resposta, cartas pra redação ! Deixe aqui seu comentário.