Exposição coletiva "O Grito" evoca a urgência de muitas independências


Setembro é o mês comemorativo da independência do Brasil que, como aprendemos na escola, foi proclamada com um grito às margens do rio Ipiranga pelo filho do imperador. Assim, todo dia 07 de setembro paradas militares acontecem em inúmeras cidades brasileiras, bandeirolas bailam ao vento e nós lembramos que temos orgulho de sermos brasileiros. Mas desde 1995, diversos atores sociais passaram a ocupar as ruas e a gritar contra as opressões e injustiças ainda existentes, fazendo ecoar todas as lutas por liberdade. O Grito dos Excluídos denuncia a farsa da independência, exprime a dor, convoca à luta e reivindica o poder popular.

Com curadoria de Silvana Marcelina, a exposição "O Grito" traz trabalhos de 22 artistas que, a partir da poética e da política do grito, apresentam a resistência nas suas mais diversas potências - subversiva, religiosa, coletiva, cultural. O conjunto de obras nos mostra que a arte é política, que também ressoa as críticas sociais. A coletiva ocupa o Espaço Pence, no Rio, e o finissage, dia 04, terá uma roda de bate-papo com os artistas, às 19h.

Na mostra, nomes já consagrados como Januário Garcia, Osvaldo Carvalho e Rodrigo Braga se somam a jovens artistas como Mariana Maia, Giselle Magioli, Mulambö, PV Dias e André Vargas. O público poderá conferir em "O Grito" trabalhos de diversas linguagens, como pintura, fotografia, instalação, vídeo performance, escultura, literatura.

"Dizem que a liberdade brasileira se fundou num grito. Um grito que proclamava. Um grito que, não ecoando nos escravizados, morreu às margens do rio. Mas ouviu-se em toda a nossa história, dentre os sons exuberantes da fauna e daf lora, muitos outros gritos.


Gritos que exprimiram as dores inimagináveis da perda, do açoite, da pobreza, do desalento. Um grito que proclama é um farsante, nada exprime além de uma encenação.


O Grito é presença, é imperativo, é visceral, é inflamável!

“Independência ou morte!”. A história nos mostrou que, na sentença do futuro imperador, uma coisa não exclui a outra. Quantos morreram só com o sonho, com a promessa, com a esperança de liberdade? O lamento rompe o silêncio, mas aprisiona a força.

Os gritos atravessaram a dor, se fizeram resistência e reivindicaram liberdade no coração de cada revolta, no terreno de cada aldeia, cada quilombo e de cada Canudos. Gritos que convocaram os excluídos à luta, ao movimento, à transformação. Gritos que ecoaram em nossos antepassados e ecoam em nós agora.


O Grito é limite, é força, é público,é protesto!


O Grito é voz, é a nossa voz!"


Silvana Marcelina

O Espaço Pence fica na rua Joaquim Silva 123, na Lapa.