“Existência Numérica”, no Oi Futuro, propõe reflexão visual sobre dados

Atualizado: 21 de Set de 2018

A arte de tornar visível em segundos uma gigantesca quantidade de dados, buscando dar ao público maior transparência e compreensão do complexo mundo a nossa volta, é mostrada de maneira inédita em diversas obras, muitas interativas, dinâmicas ou em tempo real.

"Urban Complexity Lab", de Till Nagel e Christopher Pietsch.

Fluxo migratório, mobilidade urbana nos sistemas de bicicletas de aluguel em Nova York, Londres e Rio, investimentos em ciência e tecnologia feitos no Brasil nos últimos anos, são alguns dos temas abordados por sete artistas brasileiros e estrangeiros que estão na vanguarda da visualização de dados, área emergente da ciência da computação.

"Uma sociedade ego-altruísta", de Pedro Miguel Cruz.

Essa é a proposta da exposição “Existência Numérica”, no Oi Futuro, aberta à visitação até 18 de novembro, com obras de artistas que têm em comum o número como matéria-prima. Idealizada por Barbara Castro e Luiz Ludwig, com curadoria de Doris Kosminsky. Os trabalhos de Pedro Miguel Cruz (Portugal), Till Nagel & Christopher Pietsch (Alemanha), Alice Bodanzky, Barbara Castro, Doris Kosminsky & Claudio Esperança e Luiz Ludwig (Brasil) ocupam as galerias do 4º e 5º níveis do Oi Futuro no Flamengo.

"City Flows", de Till Nagel e Christopher Pietsch.

Fluxo migratório – nos EUA e no Estado do Rio de Janeiro –; mobilidade urbana nos sistemas de bicicletas de aluguel em Nova York, Londres e Rio –; investimentos em ciência e tecnologia feitos no Brasil nos últimos anos; a experiência estética como função vital; o que o circuito da arte fala na internet sobre obras de artistas visuais; e o universo dos nomes brasileiros, são alguns temas abordados em projeções, que ocupam até uma parede inteira, videoinstalações, escultura de luz, entre outras.

“O declínio dos impérios”, de Pedro Miguel Cruz.

A escrita do código para gerar a obra de visualização de dados, o seu processo de programação, é parte integrante do trabalho do artista, que é dinâmico, podendo levar a patamares que ele sequer previu inicialmente. De maneira diferente da arte computacional – como video mapping, por exemplo – a visualização de dados investiga o dado em si, chegando ao seu âmago, o número. A monumental massa de dados existente na atualidade é decodificada então a partir de sua estrutura mais essencial, a numérica, tornando compreensível para o público em rápido tempo assuntos que demandariam longas pesquisas.

“Dendrocronologia de imigração”, de Pedro Miguel Cruz.

Proporcionar maior consciência ao público sobre os assuntos complexos em que estamos imersos no mundo contemporâneo, e buscar uma expressão estética para poder visualizar a gigantesca massa de dados sobre determinado assunto, são discussões da mostra. “O universo de dados produzidos e compartilhados no mundo é equivalente à produção diária de 380 milhões horas de vídeo em qualidade DVD”, destaca Doris Kosminsky. “A história dos números é quase tão longa quanto a história da humanidade, e agora eles avançam de modo exponencial, e estão também no campo da arte, como se para confirmar a sua supremacia no século 21”, afirma.

“City Flows”, de Till Nagel e Christopher Pietsch.

No exterior, congressos de visualização de dados reúnem até mil participantes, mas aqui no Brasil ainda são poucos os pesquisadores em visualização de dados. Luiz Ludwig acentua que “esta é uma das primeiras, se não a primeira, mostra sobre o assunto no Brasil”. Ele lembra que o Centre Pompidou, em Paris, realizou recentemente (15 junho a 27 de agosto) uma grande exposição a respeito, “Coder le monde” (“Codificar o mundo”). “Podemos dizer então que ‘Existência Numérica’ está no estado da arte”, brinca.

“City Flows”, de Till Nagel e Christopher Pietsch.

Barbara Castro observa que a visualização é um campo que está diluindo fronteiras, e congrega especialistas de saberes diversos, oriundos de áreas muito técnicas da ciência da computação em direção à arte, ou no percurso inverso. Ela observa que “há níveis diferentes de legibilidade na área da visualização de dados”. Isto poderá ser visto na exposição, onde convivem diferentes abordagens, desde as mais abstratas às mais diretas, mas sempre com uma preocupação estética.

Ao longo da exposição haverá eventos como uma oficina em outubro e lançamento do livro-catálogo bilíngue (port/ingl), com textos de importantes pesquisadores brasileiros e estrangeiros, em novembro.


A exposição pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 11h às 20h. O Oi Futuro fica na Rua Dois de Dezembro 63, no Flamengo.


Fotos: divulgação