"Esqueleto: uma história do Rio" ocupa a Galeria Aymoré, na Glória

A partir de pesquisa de imagens da Favela do Esqueleto, no Maracanã, veio a ideia de realizar uma exposição sobre a comunidade, erguida ao redor de um prédio inacabado, que se tornou uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. "Esqueleto: uma história do Rio" apresenta obras de artistas de gerações distintas, como Hélio Oiticica, Carlos Vergara, Raul Mourão, Gustavo Speridião e Luiza Baldan, para tratar de um regime de urgência e da violência cotidiana vivida em toda a cidade.

"Liberdade", de Carlos Vergara.

Com curadoria de Fred Coelho e Maurício Barros de Castro, a exposição, que tem parceria com o Jacaranda, poderá ser visitada até 11 de maio, na Galeria Aymoré, na Glória.

"Península", de Luiza Baldan.

No início da década de 1960, as famílias que moravam no local foram removidas. Em meados dos anos 1970, a estrutura abandonada do edifício foi aproveitada para construção da UERJ, que mais tarde se tornou pioneira, no Brasil, na implementação do sistema de cotas raciais na universidade pública.

Na Favela do Esqueleto, Hélio Oiticica conheceu Cara de Cavalo, assassinado pelo famigerado Esquadrão Lecoque. A homenagem ao Cara de Cavalo, uma das obras seminais do artista, reverencia o amigo morto e lança questões sobre a marginalidade imposta às "periferias" da cidade.

"Assim como Hélio, os artistas reunidos nessa exposição falam de um Rio marcado por conflitos, remoções e arruinamento dos espaços públicos, sem perder de vista que se trata de uma violência que acontece com muito mais intensidade nas favelas cariocas. Espaços que, mesmo entrincheirados entre tiroteios e balas perdidas, se reinventam e mostram sua força", diz Maurício Barros de Castro.


A exposição reúne também obras de Marcos Chaves, Guga Ferraz, Raïssa de Góes, Thaís Rocha, João Paulo Racy, Rona e Edu Monteiro.


A Galeria Aymoré fica na Villa Aymoré, Ladeira da Glória 26.


Fotos: divulgação