Disneyssense, por Eleonora Duvivier

Desde que Paola decidiu vir a publicar partes do livro que compus com o título acima, e que tem sido “a work in progress”, com ilustrações e textos de minha autoria, achei adequado traduzir a crítica intitulada “A Filosofia de Disney”, que este “work in progress” recebeu, da jornalista americana Peggy Mac Donald- Demosthenous.

“Juntando-se aos grandes pensadores, que através dos séculos tentaram descobrir o sentido da vida, a filósofa Eleonora Duvivier analisa a esfera mistica e metafisica atraves de um tema, nesse caso, fora do comum: Disney.


Disneyssense foi precedido por seu outro livro “From Mars to Marceline- In Search of Disney” (De Marte `a Marceline- Em busca de Disney) que é uma mistura de fatos historicos relacionados a Disney, filosofia, e puro amor por Disney, Walt e o que ele criou.


Eleonora compara Walt Disney a pensadores de grande influência, como Sócrates, e Kierkegaard. Para ela, Disney indentificou a esfera mística com a corporal, em novas formas de entretenimento, que incorporam nossos sentidos. As atrações revolucionárias que criou nos seus parques tematicos são as primeiras que dão aos espectadores a oportunidade de mergullhar nas estórias que estas desenrolam, e virar seus próprios atores.


“Disney plantou a semente do que, na arte contemporanea, se chama Interação Contemplativa , e que, referindo-se a obras de instalação, requerem a imersão do espectador dentro delas, para que se revelem, atraves da interação com este espectador, que ao mesmo tempo se torna agente”, ela diz, em Disneyssense. “A esfera mística, que considero a da comunicação entre realidades heterogeneas, é responsavel, através desse espectador, por transforma-lo naquele que dá validez ao brinquedo, e portanto o recria, ao mesmo tempo que no personagem, recriado por ele mesmo.” Aqui, eu adiciono, em relação `a transformação mistica desse espectador, que ele passa a ser a união de creatura e criador, assim como Walt, através de Mickey, quem ele é, e quem ele cria, representa o amor e o laço entre criador e criatura.


O exame que Eleonora faz da arte de Disney combina rigorosa análise, com ousada adoração por Walt Disney, e pela criação a que ele deu origem, que continua encantando os jovens e os jovens de alma, através do mundo. Às vezes, seu estilo etéreo é novo e único, como revela o seguinte trecho, de Disneyssense:

“ Injetando personalidade, como foco principal de seu desenho animado, aquele que em volta do qual tudo gira, acima dos limites do que conhecemos por mundo físico que, nesse caso, ao redor do personagem, encolhe, estica, superando suas proprias formas, ao se adequar `a expressao da personalidade, quer dizer, injetando personalidade, acima das leis da ciencia, da lógica, ou da mera contingencia, Disney faz como que uma proclamação de alma sobre matéria. Do mesmo modo, sua reinvençao do elemento fisico, enquanto movimento e visibilidade da fantasia, representa a ascendencia da vida, sobre a realidade”.


Eleonora se apaixonou pelo mundo de Disney, quando ainda criança. Com seis anos, viveu com seus avós-enquanto seus pais estudavam arte na Europa- frequentando uma escola de freiras no Rio de Janeiro, que lhe foi traumática. A menina de então encontrou-se num impasse, diante das lições de religião, que enfatizavam a penitencia e o medo do inferno, como caminho do Paraiso. Sentiu-se salva, pelo seu primeiro encontro com o desenho animado Disney, na tela do cinema.


“Dilacerada entre o medo etico de falhar com os principios religiosos, e o panico do diabo”, ela relata, “ eu fui, numa tarde abençoada, levada ao cinema, para ver A Bela Adormecida. Foi minha primeira vez, diante da grande tela, e de repente, nascendo do escuro, todas as cores do arco- íris me revelaram não só a beleza e magica do movimento de fantasticos, desenhados e multicolores, personagens, como a vitória do Bem, pelo amor; o Final Feliz, aqui na terra.”

O poder da animação Disney teve profundo efeito em Eleonora. “Desde então”, ela explica, “passei a me sentir ou no inferno, ou no paraíso. O paraíso era o mundo de Disney. Fosse em figurinhas, ou no próprio desenho animado, a imagem de Aurora, em A Bela Adormecida, ficou comigo pra sempre, trazendo um transcendente sentimento de alívio.


A caminho da universidade de Boston, para estudar filosofia, Eleonora fez sua primeira viagem a Walt Disney World. “Estar num contexo em que se pode “deixar rolar” é uma benção, e corresponde a um sentimento de redescoberta que é abandono, e ao mesmo tempo, reencontro.”


Amantes de Disney se relacionam com as emoções e idéias, que Eleonora articula com tanta eloquencia, e acompanham suas reflexões poéticas on line.

Eleonora estudou filosofia nos Estados Unidos, Inglaterra, e Brasil. Depois de alguns cursos a nível de pós graduação, ela deixou os estudos academicos, para seguir seu interesse por Disney.


“Olhar Disney filosoficamente tem mais a ver com meu temperamento introspectivo, que naturalmente questiona a vida, do que com uma decisão a priori de faze-lo”, explica. “Essa visão amadureceu quando eu finalmente li as biografias de Walt Disney, assim como muitos outros livros sobre a animação Disney, e percebi a afinidade entre o temperamento de Walt, sua conduta e attitude diante da vida, com tudo a que deu origem.


Diferente das biografias de Walt Disney, Disneyssense procura capturar o espirito de Disney num nível metafísico. Com suas conclusões místicas, Eleonora corteja Disneyphilles de todos os lugares e idades.


De acordo com ela, eles se classificam nas seguintes categorias:

Disney historiadores, Disney aficionados, Disney “geeks”, Disneyans (aqueles que encontram suas raizes no mundo de Disney), Disneystatics (que conheceram a felicidade através de Disney) Disneykharmics (que têm compulsão de ir aos parques, como se os conhecessem de outras vidas) e Waltists (que pensam ser os únicos que realmente decifram Walt Disney).


Colocando o homem atrás de Mickey num pedestal, Disneyssense seguramente agrada a todos estes.


Peggy Macdonald-Demosthenous