Diário da pandemia: mais perguntas do que respostas, menos certezas do que dúvidas

Por Bruno Thys


- Se alguém dissesse que um dia banhistas seriam retirados á força das praias do Rio não por causa de ressaca ou de poluição no mar, eu o aconselharia a buscar ajuda psiquiátrica.


- Qual o significado de extrapolar para Bolsonaro?


- O mundo pós-covid 19 será diferente, estamos de acordo. A prevalecer a tese do aumento da força viral, a chamada mutação permanente e a estabilização da capacidade imunizadora do corpo humano, a civilização estaria então perto do fim?


- Quem está por trás do fortíssimo lobbye da cloroquina? A ciência ou a indústria?


- Babado em Brasília dá conta de que chegou aos ouvidos de Bolsonaro a referência de Mandetta ao “Mito das Cavernas” de Platão. Pra se vingar, bolsonaro mandou “demitir esse tal de Platão”.


- A ágora, a grande praça (não a corretora) do presente chama-se Zoom. É o baixo Leblon desse início de 2020, o point do mundo, plataformas digitais como essa, onde as pessoas passaram a  se reúnir


- Não tarda o dia em que alguém vai dizer que esta pandemia foi prevista por Nostradamus como mais uma praga ou algo assim.


- Uma calamidade dessas põe á prova as lideranças políticas no mundo. Poucos se salvam. O mundo tá na mão de gente despreparada seja para tempos de paz, muito menos os de guerra


- Aliás, queria viver no Brasil dessas coletivas vespertinas do Planalto. Todos os representantes de setores do governo federal ali reunidos asseguram que tudo caminha muito bem e trocam elogios do início ao fim.


- Traficantes, milicianos e ladrões em geral estão em quarentena, isolamento social ou firmaram algum tipo de trégua numa rara demonstração de elevado espírito cívico. Não se ouve mais falar em tiroteios, balas perdidas, roubo a caminhões de carga, etc, etc, etc.


- A lista de idiossincrasias do país não pára de crescer: prostituta se apaixona, traficante usa droga e presidente da República vai á TV receitar remédio contra o corona.


- No futuro imediato, máscaras e celulares serão os itens mais importantes da humanidade


- Nesse sentido, é razoável supor que no próximo desfile em Paris, teremos o lançamento de máscaras Salvatore Ferragamo, Gucci, Dolce Gabana, Halph Loren, Hugo Boss, Armani, Hermes, Ermenegildo Zegna


- Aliás, o único alvo da cobiça dos poucos ladrões em atividade tem sido justamente as máscaras. Já, já, vão ser oferecidas em camelôs.


- A grande guerra em curso até a entrada em cena do corona opunha Estados Unidos e China pelo controle do mundo 5G. Com a pandemia, o planeta se dobrou á China, país que responde pela produção de respiradores artificiais, tão necessários á preservação da vida, quanto a mistura de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Aliás, em breve, a ventilação mecânica completará 100 anos de serviços essenciais á humanidade.


- A sonoplastia noturna do país é o panelaço


- A vida contemporânea no Rio é marcada por siglas alfanuméricas. Depois do AR-15 e AK-47, a da vez é a N-95.


- Até aqui, a História dividia a civilização entre “AC “(Antes de Cristo) e “DC” (Depois de Cristo). Penso que daqui por diante o critério de corte será “AC-19” (Antes do Covid-19) e “DC-19” (Depois do Covid-19). Barra pesada.