Ana Borelli lança publicação sobre a história arquitetônica da cidade

O livro "Rio de Janeiro Perdido e Recuperado", editado pela arquiteta, curadora, cenógrafa e editora Ana Borelli, da TIX Editora, terá lançamento na próxima quinta-feira, dia 03, às 18h30, na Livraria da Travessa, em Ipanema.

A obra apresenta em dois capítulos importantes construções do século passado que desapareceram da paisagem carioca, e outras que, preservadas, foram reintegradas a paisagem urbana da cidade em grande estilo com adaptação de uso e finalidade.

Com prefácio de Alfredo Sirkis, a publicação traz mais de 80 imagens de acervos diversos, como a Biblioteca Nacional, Museu da Imagem e do Som e Iphan, e cerca de 30 ilustrações originais, ícones de cada projeto, mapas e gravuras da cidade do Rio, criados exclusivamente para o livro.

"Este livro tangencia a vida e a morte de cidades, mas na escala humana. Naquela das edificações que a mão de obra, arquitetura, engenharia e economia em algum momento entenderam construir e, noutro momento, por força do mercado ou, quase sempre, decisões do poder político, literalmente sumiram do mapa. Foram perdidas para as gerações atuais, enquanto a cidade foi se modificando, crescendo, mudando seus modos de mobilidade, necessidades de moradia e trabalho, distribuição de negócios, formatos e modos do comércio", escreve Alfredo Sirkis no prefácio.

"Existe um Rio Perdido. Ficava naquele lugar, mas não mais. Alguns de seus espectros já não povoam a memória de ninguém vivo. Encontramos suas imagens em branco e preto nos livros de fotos antigas de nossa cidade. Ninguém mais está vivo para se recordar do Convento da Ajuda, dos pavilhões das Exposições de 1908 e de 1922 ou do próprio Morro do Castelo. Outros permanecem na memória da geração dos mais idosos. Outro ainda na nossa, de meia-idade", complementa a editora Ana Borelli.

O livro trata, portanto, da memória da cidade. A publicação oferece ao leitor a oportunidade de conhecer algumas edificações de riqueza histórica e arquitetônica, que podem desaparecer da memória das futuras gerações, caso não imortalizadas em suportes culturais como livros. Como por exemplo, a Torre Eiffel, uma edificação no etilo Art Noveau construída em 1905 na Rua do Ouvidor, no centro, que abrigou uma loja de roupas masculinas até 1967, quando foi demolida para dar lugar a um prédio comercial, ou o lindíssimo Mercado Central da Praça XV, inaugurado em 1907 e demolido 1962 para passar a Perimetral que também já foi demolida.


Ou ainda o pavilhão de regatas Botafogo construído em 1903 e demolido em 1928 para dar lugar as vias que ligam o Aterro à Praia da Urca, ou o Pavilhão Mourisco construído em 1905 sob arquitetura eclética, que foi demolido em 1952 para dar lugar ao túnel do Pasmado, ou o belo Hotel Avenida, de arquitetura neoclássica e eclética datado de 1910 e demolido em 1957 para ambientar o Edifício Avenida Central, entre muitos outros exemplos que ganham protagonismo nesta edição.


"Rio de Janeiro Perdido e Recuperado" também coloca holofotes nas construções preservadas que, sobreviventes da cultura do bota abaixo, foram restabelecidas a paisagem urbana da cidade, ratificando o que tem de melhor na prática da preservação e modernidade. "Prédios que sobreviveram até chegar a um tempo em que o antigo "retrofitado" virou bacana. O edifício da Sul América e o Nigri Plaza, no centro; a Villa Aymoré, na Glória, o antigo Hotel Serrador e o antigo prédio da Standard Oil, na saída da Cinelândia, cujos cinemas, aliás, foram quase todos perdidos, com a notável exceção do Odeon", lembra Sirkis no texto que apresenta a publicação.


A criação do projeto é da editora Ana Borelli, que também foi responsável pela seleção de projetos, direção de arte e coordenação editorial do projeto que ganhou como bossa uma linha especial de papelaria ligada ao conteúdo da publicação, desenhos, ilustrações e um jogo de cartas que podem ser adquiridos a parte.


A Livraria da Travessa de Ipanema fica na rua Visconde de Pirajá 572.