Amador Perez expõe produção inédita no Paço Imperial, no Rio

A exposição "Amador Perez DVWC Fotos e Variações", com curadoria de Marcia Mello, tem vernissage nesta quinta-feira, dia 1º, às 18h30, no Paço Imperial, no Centro do Rio. A individual apresenta uma série de fotografias, produção inédita que marca em 2019 a trajetória de 45 anos do artista carioca. A mostra soma um total de 155 obras, com duas séries realizadas entre 2016 e 2019 - fotografias originais e variações gráficas destas imagens - e uma seleção retrospectiva de obras de Amador Perez relacionadas ao campo da fotografia.

"A exposição Amador Perez DVWC Fotos e Variações apresenta um novo recorte na obra do artista e tem a fotografia como mote e meio de expressão de sua poética, fortemente marcada pela multiplicidade de técnicas e linguagens desde os anos setenta.


DVWC, fotos e variações, trabalho mais recente de Perez, põe em evidência sua ligação com a história da arte, com as reproduções das obras - seu principal campo de pesquisa -, e com as novas tecnologias, frequentemente incorporadas a um arsenal de interesses e habilidades. As fotografias, realizadas com aparelho celular, registram a mão do artista em contato com imagens impressas de obras de Albrecht Dürer, Johannes Vermeer, Jean-Antoine Watteau e Gustave Courbet.

Sua retórica poética incorpora assim o gesto, traduzido em imagens surpreendentemente impalpáveis e concebe fabulações que oscilam entre o velar e o revelar. No jogo de epidermes, o artista propõe uma fusão de tempos e espaços, num silencioso fluxo amoroso que deflagra suas fantasias, desejos e obsessões.


A tensão entre as superfícies - do papel e da pele - acaba por cerzir mundos, aproximando representação e realidade no registro em preto e branco de imagens que se apresentam, ora em versão positiva, ora negativa. A cada narrativa criada no sequenciamento de 16 diminutas imagens - e suas variações com intervenções do desenho e cores do processo CMYK versus RGB - ouvimos o sussurrar inaudível de afetos e nos deparamos com sentimentos insuspeitados revelados por algo que não está na aparência das coisas.


No núcleo Memória FotoGráfica, a exposição apresenta, na sala Academia dos Seletos, uma síntese retrospectiva da produção do artista desde os anos 1970, quando constatamos a coerência do percurso de Amador Perez em 45 anos de atividade artística. Apesar dos múltiplos recursos técnicos: desenho a grafite, xerografia, tonergrafia, interferência em imagens impressas de diversas procedências com técnicas manuais ou digitais, identificamos pontos significativos de ligação entre os trabalhos expostos.


A fotografia pode iniciar ou finalizar o processo ou, ainda, ser uma etapa entre a ideia e sua forma final. O sequenciamento de imagens aparece de inúmeras maneiras: a imagem-símbolo é decupada, recombinada, ressignificando incessantemente o processo de produção. A saturação ou o apagamento de detalhes, o bosquejar a grafite, o desfoque, a colagem, a incorporação de retículas, corroboram a riqueza dos artifícios utilizados por Perez para exprimir suas inquietações e desejos.

Seu fazer disciplinado põe continuamente em evidência a curiosidade cuidadosamente lapidada, na maior parte das vezes em suportes de pequeno formato.


A obra de Amador Perez resgata o verdadeiro sentido da arte: transpira, exala, cria memória. Mergulhar em seu universo nos faz descortinar horizontes internos, apontar, desviar, retornar, repor, interferir, reproduzir, imprimir, intervir, e nos perder em vielas de inesperados sonhos realizados.'


Marcia Mello, curadora

A exposição poderá ser visitada até 27 de outubro. O Paço Imperial fica Praça XV de Novembro 48, no Centro.