Acervo da Fundação lembra a memorável edição "30 × Bienal"

Em 2013, em comemoração à realização de 30 edições da Bienal de São Paulo, a Fundação Bienal realizou a exposição 30 × Bienal – Transformações na arte brasileira da 1ª à 30ª edição, com curadoria de Paulo Venâncio Filho.


"Sem a rotina ininterrupta da Bienal, seria muito improvável a formação da tradição moderna e contemporânea tal como ocorreu, de maneira única nas artes plásticas brasileiras em contato e confronto com as tendências estrangeiras – e que veio a construir a própria história da exposição. A Bienal foi sempre, a cada edição, uma mostra da atualidade da produção artística brasileira", afirma o curador.


Com cerca de 250 trabalhos de 111 artistas, a 30 x Bienal reuniu obras de Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Beatriz Milhazes, Lygia Clark, Tomie Ohtake e outros. Realizado pela Fundação Bienal em parceria com a Mira Filmes, um documentário relembra edições do evento, importantes correntes históricas e relaciona artistas brasileiros presentes na mostra.


Por meio de um extenso trabalho de pesquisa, levantamento e organização do patrimônio imaterial da Fundação ao longo desses 60 anos, foram propostas inúmeras ações educativas para a 30 x Bienal. Um dos destaques dessa edição foi a realização do Seminário Arte em Tempo, em que educadores, críticos, curadores e artistas que fizeram parte dessa história relataram suas experiências por décadas: 50, 60, 70, 80, 90 e 2000.

Procurando atividades para fazer com os pequenos em casa ou para complementar o aprendizado dos seus alunos? O material do educativo da 30 x Bienal pode ser uma boa opção! Para Stela Barbieri, curadora educacional da edição, "essa é uma exposição para estudo, para um mergulho na contribuição que os artistas foram trazendo com as suas urgências e questionamentos".


O material apresenta 6 cadernos, 49 fichas de artistas, 23 pistas educativas e 1 linha do tempo do Educativo Bienal. Cada caderno é dividido por assuntos, definidos pela curadoria geral e educacional: Caderno do professor; Onde termina uma forma? Onde começa uma forma?; Quantos mundos existem no vermelho? Quantos vermelhos existem no mundo?; Como a arte se apropria do mundo? Como o mundo se apropria da arte?; Quais os tempos da memória? Quais os espaços da memória? e Como o mundo fala? Quais as linguagens da arte?

Uma das obras expostas na 30 x Bienal foi O Impossível (1940), de Maria Martins, destaque desta semana no Instagram da Bienal. Escultora, desenhista, gravadora e escritora, Maria Martins foi uma figura decisiva para que a Bienal ganhasse força e adesão internacional nas suas primeiras edições. Além da 30 x Bienal, Martins também colaborou nas primeiras três edições, sendo inclusive premiada na 3ª Bienal com a obra A soma de nossos dias (1954 - 1955). Para o crítico Paulo Herkenhoff, a qualidade e a radicalidade de sua obra são motivos que a tornam a maior escultora brasileira da primeira metade do século 20. Maria foi uma das primeiras artistas brasileiras a experimentar o caminho da sexualidade nas artes plásticas e uma das principais escultoras ligadas ao movimento surrealista.