Élle de Bernardini abre sua primeira individual na Luciana Caravello

A Galeria Luciana Caravello inaugura na próxima quinta-feira, dia 5, a exposição "Black and Gold", primeira individual da artista gaúcha Élle de Bernardini, que vive e trabalha em São Paulo. A mostra tem curadoria de Raphael Fonseca e traz 12 trabalhos inéditos da série "Formas Contrassexuais".

A série já foi apresentada no Masp, na exposição "Histórias Feministas" (2019), em que a artista desenvolve o que ela chama de "novo modelo de sociedade", que pensa o sujeito sem as categorias de homem ou de mulher, e é baseado no conceito homônimo do filósofo transexual espanhol Paul Preciado.


"Em meu trabalho, proponho reescrevermos a história da humanidade e a história da arte por meio de um modelo de sociedade alternativo ao modelo vigente cis-branco-macho-heteronormativo-eurocentrado, que determinou o modo como a história no ocidente vem sendo escrita e contada a mais de 4 mil anos. Este novo modelo é baseado em Paul Preciado", define a artista.


Na exposição, a artista traça uma relação com a civilização egípcia, mais precisamente com o modo como eles registravam a história, o uso dos símbolos na constituição de sua linguagem. Os famosos hieróglifos foram a referência crucial que levou a artista, no começo de seu processo, com a série das "Formas Contrassexuais", em 2018, a desenvolver uma legenda própria que representa graficamente as cinco principais zonas erógenas do corpo humano, e que caracterizam os gêneros: pênis, vagina, seios, escroto e ânus.


Combinando e (re)combinando o alfabeto simbólico criado por ela mesma, a artista propõem escrever a história de uma civilização futura, baseada no conceito da contrassexualidade. Uma sociedade sem a necessidade de classificação dos sujeitos por gêneros. Uma sociedade não branca, não-binária, não eurocentrada, não patriarcal e nem matriarcal.

A artista escolheu como matérias-primas de sua nova pesquisa o couro e a pintura em acrílica com traços gráficos livres e simples que remetem à escrita. Uma série de acrílicas sobre couro que remetem ao modo como os egípcios registravam sua história nas paredes das tumbas há milhares de anos, porém trazida para a contemporaneidade e utilizada como referência para a inscrição de uma sociedade ainda em parte utópica, mas em processo lento de formação.


A exposição poderá ser visitada até 11 de abril. A Luciana Caravello Arte Contemporânea fica na Rua Barão de Jaguaripe 387, em Ipanema.