Tenho certeza de que não faço !

Há alguns meses estava na livraria Travessa do Leblon, na enorme fila da noite de autógrafos do publicitário paulista, Mentor Neto. Essas filas sempre nos dão a vantagem de poder ver livros com calma. Desde que a Internet entrou em minha casa, há exatos 20 anos, o maravilhoso hábito de folhear livros em livrarias foi se acabando. Naquele dia, eu podia !!

A fila, longa e lenta, me permitiu passar por varios assuntos diferentes, até mesmo mandar uma mensagem para minha amiga Elayne Ferreira e enviar foto do corner dos guias de viagem, numa brincadeira séria: pra onde nós vamos este ano? Rápida no gatilho quando o assunto é viagem ou festas, saídas, tudo que remete a um bom programa e de forma confortável, ela imediatamente respondeu dizendo o nome de uma cidade. Comprei o guia porque acabei dando  todos os meus, que já tinham mais de vinte anos. Vamos aos atualizados !

Resolvida esta questão, a fila andando, cheguei a um livro que me chamou atenção: “As 20 coisas que você tem de fazer antes de morrer”. Não estou bem certa se eram vinte ou outro número, mas esse título me deixou curiosa. Já pensando em comprar, abri e vi que o olhar da autora era muito diferente do meu e que, pra mim, bem entendido, o livro nao serviria para nada. Foi aí que comecei a pensar…

E num caminho inverso, pensei no que já havia feito e que não pretendo fazer jamais. Achei um exercício mental mais interessante. Aí a fila ficou mais divertida pra mim e pensei em algumas coisas, algumas delas, já esquecidas. Vamos lá !

Rock’n Rio – Fui ao 1, ao 2 e ao 3. Está de ótimo tamanho ! No primeiro eu saía de casa ao meio dia e voltava as 8 30h do dia seguinte. Esperei uma hora e quarenta minutos para ver o Queen, debaixo de chuva e valeu. Até mesmo quando um coroa, todo bebado e cheirado caiu em cima de mim, sentada num plástico grosso sobre a lama mole e puxou uma amiga, que com o susto, reagiu e começou a bater nele. Eu me lembro disso como se fosse hoje !! Perguntei: “Será que vocês poderiam continuar isto em outro lugar?”. Mas eu era jovem, não sabia que minha coluna existia e pude ver James Taylor, realizando um de meus sonhos mais ‘profundos’, digamos assim, olhando as estrelas com amigos queridos, só me levantando para dançar ao som de George Benson, que fechou a noite. Foi uma experiência singular, e como diz o nome, uma só, não acontece de novo. Já naquela época eu estranhava muito o fato de não ter um único lugar seco, com grama ou algo assim para sentar. Era grande a empreitada. No 2 eu vi George Michael, e no 3, Sting, muito bem acompanhada. Portanto, já deu. A Cidade do Rock é longe, os carros nunca chegam realmente perto, e se na ida já é chato, na volta é dramático.

Disney – Sinceramente, acho que nem se eu tiver de salvar uma vida. Pra mim, Disney é bom quando se é criança. E criança grande, pra entender aquela maravilhosa engrenagem e ainda sentir a magia. Voltei mais velha, de tanto que meus amigos iam e falavam encantados. Eu me senti prisioneira. Quando cheguei ao Epcot, vi aquele terreno enorme, caminho sem volta, calor (em fevereiro), e passando pelas peculiaridades de cada país. Achei um saco. Eu gosto de museu. Da história que cada um tem pra me contar. Ali, era uma bobagem. Comprei camisetas “na Itália” e na “Alemanha” pra dar pro meu amigo alemão, Paulo Schüler. O coitado só pode usar no sítio que tem porque a trama é tão fechada que aqui no Rio é impossível. E tome shows. Daqueles chatinhos, pompons,  musiquinha, as cores da América.

Miami – Vem meio que a reboque da Disney. Pra mim, é uma cidade sem identidade. Muito de tudo, numa cidade que não é nada. Não gosto, não me atrai. nem sei porque voltei a segunda vez.

Madrinha de Casamento – Esta é uma das grandes roubadas da vida, atualmente. E uma roubada cara ! Antigamente, a gente tinha ou comprava _ porque queria e não porque era imposta_ uma roupa legal, ia ao cabeleireiro, fazia uma maquiagem e estávamos prontas para compartilhar a felicidade de nosso casal de amigos, festejando sem ter de se desmontar usando havaianas. Éramos compostas até o final. Agora é uma indústria e vamos combinar, muito chata. Só garotas muito deslumbradas podem gostar de todas essas regras e de ainda ganhar o dia da noiva, num hotel ou algo assim. Fui madrinha de quase dez casamentos. Missão cumprida.

Passeio de Rio em cidades estrangeiras – O único que fiz e foi interessante foi o Bateau Mouche a noite, na minha primeira vez em Paris. Não sou chegada a programas de turistas, sou viajante. Mas esse era um clássico e acabou sendo muito interessante pelos americanos dentro do barco e os faróis que apontam para as laterais do Rio Sena e “flagram” jovens casais em beijos e amassos que assustam-se com os faróis rapidamente acionados. Eu me lembro do Rio Tigre, na Argentina. Eu e minhas amigas quisemos voltar, mas descobrimos que era “mão única”, e tinha-se de ir à frente. Por longas horas. E Buenos Aires fervilhando, esperando por nós ! Ai. ai…

Reveillon no meio do povo – Passei por essa experiência duas vezes, de formas muito diferentes. Na segunda eu estava protegida pela vidraça de um hotel na Orla de Copacabana. Ar condicionado, música, comida e bebida nota 10. Mas ainda assim, voltando à Elayne, o bom é passar por isso hospedada. Porque é óbvio que um esquema de segurança tem de ser montado e que você vira refém dele. Na chegada, como o Rock’n Rio, é chato, mas existe a expectativa. na volta, horas parada no trânsito, onde você está à disposição de um arrastão. Um ano antes, passei no frio novaiorquino, quis ver a maçã cair, coisa que faço até hoje, religiosamente, com a mesma companhia, ar condicionado e sorvendo uma boa bebida. Aquele ano foi uma loucura, Bin Laden estava começando a soltar bombas, era o governo de Clinton e fazia  -15C. Pra ver a bola cair, tive de pular me apoiando no ombro de um holandês, enorme, claro. A ida já foi uma loucura, porque com aquela primeira ameaça terrorista, não se entrava no bochicho pelas tranversais, precisávamos ir até o fim e voltar !! Imagina a volta ?

Show de Claudia Raia – Acho que é auto explicativo.

Permanente ou escova japonesa no cabelo – principalmente para uma pessoa como eu, que tem cabelos lisos que faz cachos nas pontas ! Eu me convenci de que tenho o melhor dos dois mundos, então agora me divirto com as cores. E só.

Marques de Sapucaí – Nunca gostei de Carnaval, apesar de grande esforço. É sério, eu me esforcei muito, principalmente na minha pré-adolescência em Friburgo. Mas a coisa era tão forte, que até pé machucado cheio de methiolate eu inventei. Não gosto, não está em mim. Naquela idade eu me perguntava o motivo de tanta alegria _ adorava festas de Reveillon e dançava até de manhã _ e um pouco mais velha, porque este evento dava a permissão para uma mudança tão grande de comportamento. Os tempos eram outros…

Itália – Devo ter deixado este item por último porque sou uma sentimental. Que consegue ser muito prática também. Quando eu era criança, meu avô estava fazendo 50 anos de Brasil e resolveu levar a família para conhecer a “sua terra”. Imagino o valor para aquele homem, vitorioso, forte, voltar por cima aquele pequeno vilarejo na Calábria, que de tão pequeno nem está no mapa, apresentando seus descendentes, a família que ele fez no Brasil. Eu adorei a viagem. Ficamos lá 32 dias, conhecendo tudo e mais um pouco, e o bom bom Baci virou memória afetiva porque ganhei de minha avó em Fiumiccino. Muitos anos depois voltei sozinha, numa viagem de mochila, iniciada em Londres. Só fui maltratada porque o italiano é tão ou mais machista que o brasileiro e quando veem uma mulher sozinha, tentam lhe cobrar tudo em dobro e coisas assim. Eu me aborreci e perdi a vontade de voltar.

Agora que escrevi tudo isso, fico pensando que tenho muitas coisas sensacionais para fazer ou conhecer, e que “as minhas ruins” não chegam a vinte. Isso é muito bom ! Sinal de que vivi, aproveitei, sorvi muitas coisas boas de culturas diversas em momentos diferentes de minha vida. E pretendo continuar assim !

 

 

Santa Maria ! Santa Maria ! ME TIRA DAQUI !!!

O vôo da Gol que saía de São Paulo no último sábado, dia 24, às 17 40h, estava cheio, como de costume. Menos aviões, avião completo.

Tudo deu certo desta vez; nem falta de teto, nem problemas de radares, como os de durante a semana, logo estaria chegando ao Rio.

Minha sorte pareceu mudar quando, ao me sentar na cadeira 9D, pude ver, e principalmente ouvir, que dois monstrinhos que atendem pelos nomes de Gustavo e Guilherme viajariam na mesma fila que eu, do outro lado do corredor, com a mãe, absolutamente sem poder de comando sobre eles.

Nunca fui louca por crianças, mas também nunca as odiei. Até certo ponto de minha vida, era algo tolerável, depois acabei sabendo como lidar e até me afeiçoando a algumas, geralmente filhas de amigas de longa data. Era bom ver a continuidade das pessoas que eu amava… Nunca quis ter filhos, não sou maternal e embora filhos só sejam crianças nos dez primeiros anos, essa não era a questão. Meu temperamento é outro e pude excercer isto durante a vida.

Voltando ao avião, eu estava cansada. Fui pra São Paulo no meio da semana a convite de Fernanda Yamamoto, para ver seu desfile, tema de meu próximo post aqui. Mas não fiquei só na SPFW e aproveitei para trabalhar, fazer contatos e reencontrar os amigos. E que amigos deliciosos eu tenho lá! Envolvida nesta atmosfera do que foi bom, do cansaço e da perspectiva de logo estar em casa, eu estava bem. Não fosse por Guilherme e Gustavo.

Este último, uma coisinha mínima, de três anos, que tocou o maior rebu no avião. Se tivessem me dado dez dólares por cada vez que ouvi seu nome, eu teria saído do avião com muito dinheiro.

Quando cheguei ambos gritavam: “Santa Maria ! Santa Maria !” à exaustão. Batucando na mesa que deveria estar fechada. A mãe não tinha nenhuma autoridade sobre aquelas duas crianças muito chatas, mal educadas e profundamente inconvenientes. Quando ela viu meu primeiro olhar, não gostou. Foi só aí que fez seu papel de mãe, defendendo a cria.

O pai, atrás da mãe conseguiu ler durante todo o trajeto. Como, eu não sei. Mas ele já deve estar bem treinado. Viver com aqueles dois monstrinhos num lar de permissividade com certeza não é novidade para ele.

Eu cheguei ao Rio com enxaqueca, muito irritada, odiando aquela família. Mas o que não me saiu da cabeça durante aquele vôo foi como as coisas pioraram de anos pra cá. “No meu tempo”, eles olhavam e a gente entendia. Hoje em dia nem gritando eles param ! Incomodam a todos e parece até que é um prazer para quem tem de viver isto. Não é !!

Esta semana Sócrates Nolasco publicou em seu perfil no Facebook que os universitários já não reconheciam autoridade dentro de sala de aula. Só dentro ?! Essa crise de autoridade é muito séria porque não há limites, hierarquia, escala de valores. Então, o que há?! O que sobrou de nossa sociedade antes tão rígida ATÉ por termos passado por uma ditadura militar que impunha certos limites comportamentais também, para o bem e para o mal ?

Eu me vejo muito desprotegida nessa questão. Porque nã há quem me represente, me defenda deste tipo de situação. Pessoas, muitas pessoas olhando não foram suficiente para aquela mãe domar seus selvagens. Ela chegou a dizer para o menor: “Gustavo, você não tem querer !”, no que eu pensei: “opa, ela agora mandou bem!”, e o garotinho prontamente respondeu: “Tenho sim!”, e ela: “Só do lado de fora do avião, aqui dentro, não!”. Aí eu perdi completamente minha esperança naquele ser humano.

Quando meu pai me dizia isto quando eu era criança, eu queria morrer !! Mas depois que cresci, vi que era verdade. Parece que para os de hoje, não.

Acredito mesmo que ninguém reclamou dentro do avião com medo de tumulto e do avião ter de voltar. Eu mesma não reclamei porque estava doida para chegar em casa. Estamos vivendo cada vez mais na exceção, nunca na regra.

Entrei no taxi e comentei com o motorista, já conhecido, que eu estava alterada e disse o porque. Ele prontamente me respondeu: “Nunca tive esse tipo de problema. Com os meus, era só olhar. Eles entendiam e ainda viravam para trás para conferir se era com eles mesmos, e até endireitavam a postura”. Tempo bom, gente interessada em educar seus filhos, criar cidadãos.

Estou muito preocupada com o que ainda virá por aí.NAO BLOG

Assim é se lhe parece ou…A culpa é sempre das babás.

Nunca fui fã de Gisele Bündchen, mas o espaço que ela ocupou na mídia desde que estourou, foi colossal, e óbvio, li muita coisa a seu respeito. Mas ela realmente nunca me convenceu. Acho que todo o movimento dela foi muito impulsionado pela indústria e pela mídia, uma vez que ela apareceu no momento certo, na hora certa, quando as esquálidas do movimento belgian chic estava acabando e eles precisavam de uma imagem saudável.

Vi muitas entrevistas com Lillian Pacce, a quem ela deu exclusividade em várias ocasiões e também na mídia em geral. Por várias vezes achei-a imatura, e por conta disso, indelicada. Depois do casamento e dos filhos, o escopo das notas mudou. A Gisele regrada, germânica, implacável, que tinha cada membro da família representado por uma cor em seu tablet, para que ela tivesse total controle da situação era notícia. Gisele estaria então “se revelando” como mãe, esposa, etc e tal. Grande coisa. A maioria das mulheres que têm família faz isso, sem ajuda de tablets e pegando um trem em pé todos os dias.

Mas ok, que seja. O fato é que ela virou quase uma referência nisso também. Chegou na vida ao atual marido quando ele estava terminando um relacionamento longo e a namorada havia engravidado, depois do término. A modelo, mais uma vez festejada pelo fato com a maneira com a qual lidou com a situação. A partir daí a coisa tomou seu rumo natural: noivado, casamento, filhos. Família.

Lá, é importante lembrar que ela é esposa do Tom Brady. Ele é o referencial, o ídolo, o famoso. E foram anos vendendo uma imagem consistente de felicidade, fosse na imprensa, ou nas redes sociais de ambos, onde ela só posta fotos dos filhos, principalmente da menina, menorzinha, sem mostrar o rosto deles.

De repente, a notícia do divórcio. O mundo levou um susto. E a culpa era da babá. E ainda chamavam esta funcionária de algo como “desmancha casamentos”, pois havia acabado com o do Ben Stiller também. Acessei a imprensa norte americana e lendo aquilo tudo, a conclusão a que cheguei foi a seguinte.

Ninguém se separa de ninguém se está feliz. Há muita coisa em jogo, principalmente com famosos, o que envolve desde a imagem pessoal, até a demanda de contratos publicitários de empresas que preisam de “ícones” com determinado perfil. A vaidade também conta, claro, e também o que se construiu junto. Estou falando de tudo, desde o patrimônio familiar a algo muito mais sério, volátil mas muito importante.

Na matéria da separação, consta que ela não dá seu perdão ao jogador. Mas será que ele o quer? Nos dois casos há o relato de casamentos infelizes, que iam muito mal das pernas.

No caso de Affleck, consta que Jennifer Garner _ que esta semana divulgou estar repensando uma reconciliação_ não aguentava mais o vício muito sério do marido: o jogo. Ben Affleck perdia milhões de dólares em mesas de jogo, o que a teria feito jogar a toalha depois de três filhos e muitas tentativas de colocá-lo nos eixos. Afinal, ele não estava perdendo só o dele.

Tom Brady devia ter suas questões também, que não deviam ser poucas. O casal, vivendo junto, só se falava por mensagem de texto, até dentro do mesmo cômodo da casa. O que, pra quem está de fora como nós, parece ridículo, patético. Mas isso envolve muita infelicidade também.

Aí a gente junta tudo isso, põe no liquidificador e culpa a babá. Que estava ali do lado e não iria perder a chance de aparecer e virar uma subcelebrity, por que não ? Esta, em especial, é a mesma que trabalhou na casa de Jennifer e Ben, o que alimentou uma história de que ela teria algo de muito especial.

Mas quem recorre à babá se está feliz?

Aliás, até este episódio, a gente via que babás são um tema recorrente, mas já estou achando que fazem parte de um fetiche masculino fortíssimo. Se pensarmos um pouquinho num passado não tão recente, o que houve com Jude Law e Arnold Schwazzeneger também passou por isto e também deixou marcas. Jude era noivo da descoladíssima Siena Miller e a acusou por não ter estado a seu lado quando ele mais precisou. E Arnold… Bem, não sei se ter um filho com a empregada da casa e mantê-lo na residência dos empregados por dez anos junto com a mãe tem defesa. Principalmente para quem era casado com uma Kennedy, a família real norte americana, jornalista de nome e talento, Maria Shriver, que largou o emprego de sucesso na TV americana para que o marido seguisse carreira política no país que o acolheu.

Ela não poderia seguir com a carreira porque seria conflitante com a dela. Neste caso, a perda é abissal. Não se trata de perdão, mas de um vazio absoluto onde deve-se refletir muito se de fato conheceu-se o cônjuge. E Maria ainda passou por isto quando estava perdendo a mãe, sua melhor amiga, antes de Oprah, com Alzheimer.

Portanto, voltando ao título deste artigo, as pessoas só mostram o que querem e precisam. Nós, da audiência, provavelmente também só acreditamos naquilo que precisamos, até aparecer uma babá…

997990-gisele-bundchen-apareceu-dancando-em-950x0-1

Essas fotos são de um filme publicitário no qual Gisele apareceu dançando após a separação e deu muito o que falar. Trata-se de nova parceria da modelo com Mario Testino.

998010-a-campanha-sera-veiculada-nos-950x0-1998015-gisele-bundchen-aparece-fazendo-uma-950x0-1

Eu, o Personal e um cachorro

Dando prosseguimento ao meu #projetoeumesma, contratei um Personal. Já tive uns probleminhas de coluna e achei que precisava enfim ser bem acompanhada. E claro, isso veio de encontro ao meu perfil filha única, que gosta de resolver tudo sozinha, a seu jeito, sem muita coletividade.

Bem, encontrei um profissional legal e depois de viagens a serviço, milhares de crises alérgicas e há pouco menos de um mês uma virose tremenda, coisa que não tinha há vinte anos_ sim, VINTE anos_ da qual demorei muito a me recuperar porque “não liguei o nome à pessoa”, os antibióticos também demoraram pra surtir algum efeito. Mais uma viagem a São Paulo. Umidade baixa, muita poluição e tome remédio.

Finalmente marquei para começar na sexta-feira. Pensei, “do jeito que estou parada, vou cair de dor no dia seguinte, e no sábado eu posso”. Mas o Personal ainda não podia. Desta vez, o imprevisto foi com ele e ficou pra hoje, segunda-feira.

Eu estava exatamente onde estou agora: no escritório de minha casa, na minha estação de trabalho escrevendo o blog que foi ao ar antes deste. Aula marcada para às 20 30h. Às 19 35h, um cachorrinho, lindo, mas muito solitário, começou a latir. Eu não sabia de onde vinha aquele latido, entre histérico e constante, natural de cães de pequeno porte. Comecei a ficar irritada, muito irritada.

Meu gato, tranquilo até demais e sempre deitado em torno do teclado, chegou a olhar pra mim com uma cara de cansado (imagino os tímpanos do coitado, a quantas andavam, afinal ouvem 26 vezes mais), e eu, acelerada que sou, estava pra lá de impaciente.

O Personal chegou. Fomos para a varanda. Imediatamente localizei o cãozinho. No quarto andar deste Taj Mahal de cimento que construíram ao lado de meu edifício tirando-me completamente a visão da praia e da rua em que eu moro !! A varanda dele ficava abaixo da do Gui. O garoto bonzinho que tem um cão educado e silencioso. Comecei a treinar e o bicho não parava. Meu professor chegou a se dizer admirado pela constância e potência vocal do bichinho. Via-se que a casa estava sem ninguém e deixaram a porta da varanda aberta pra ele não ficar preso em casa.

Por um segundo tive a impressão de que o cãozinho olhava para nós. Começamos a ver moradores do meu edifício conversando com os porteiros do prédio ao lado, que de terno e rádio comunicavam-se sem sucesso, afinal, não havia ninguém em casa.

Foi a vez da mãe do Gui aparecer na varanda,  eu fiz sinal de que era na varanda abaixo da dela, e nada.

Quando finalmente terminamos os  exercícios e saímos da varanda, ele parou. Cessou imediatamente aquele barulho infernal. Fui levar o Personal na porta e ainda brinquei que o bichinho devia ter gostado dele. Ou da camisa verdeque usava.

Não foi preciso muito tempo para entender que o cachorrinho queria companhia, e sim, ele estava olhando pra nós e quando saímos ele perdeu as esperanças.

Tem tanta gente latindo por aí, não é? E tão poucos entendendo… A começar pelo dono da casa, que se passa o dia inteiro fora, não deveria ter um animal que necessita tanto de gente, de ir à rua, enfim.

Não deixa de ser uma bela analogia, de uma realidade bem triste.

ilustra-cc3a3o-2

Marido 1, Marido 2, um lar

Semana passada fui visitar um amigo. Eu poderia definí-lo como criativo, talentoso, simpático, querido, afável, internacional, mas preciso acrescentar que ele é gay. Coisa que pra mim passa direto, mas acabou sendo o que gerou a vontade de escrever este post.

Vou chamar meu amigo de Marido 1. Era a primeira vez que ia à sua casa. Pensei numa visita rápida no horário de fim de tarde, uma happy hour. Já ia me despedindo quando Marido 2, profissional ultra reconhecido em sua área, de sucesso, estava chegando da academia. Naquele momento eu me senti ainda mais intrusa e quando ameacei levantar, meu amigo me disse, “não, você janta conosco. Marido 2  está preparando alguma coisa com uma wok, não sei o que ele está aprontando por lá”. Falamos de tudo, vi todos os trabalhos de Marido 1, artista plástico, da melhor forma que existe; ele explicando o porque do quadro, de onde veio a moldura, a idéia dela, como começou a trabalhar com holografias, etc.

Mais um pouco e chegaram duas das três filhas de marido 1. Amabilíssimas, simpáticas, educadas, calmas, quietas, mas muito interessantes, cada uma a seu jeito. Um delas estava com o filho, educado, uma criança tranquila, que ficou brincando perto da gente.

Sentamo-nos numa mesa redonda, delícia pra conversar porque todos se veem. Marido 2 chegou com um delicioso frango com abacaxi, que a cada momento se confirmava o sabor maravilhoso, principalmente ao encontrar o gengibre… Hum… A mesa bem posta, a louça bonita, os copos que faziam o vinho descer mais gostoso…

A noite transcorreu maravilhosamente bem entre arte, acolhida, as meninas, o garotinho, e eu não pude deixar de pensar, enquanto tudo isto acontecia ao mesmo tempo, no absurdo que é o preconceito. Não adianta negar, dizer que não, mas a coisa aqui ainda é muito forte e em São Paulo então, cidade onde esta família mora, a coisa chega à níveis de segregação.

Pensei também no “auê” que fizeram quando começou o movimento de adoção. Conheci uma brasileira em Nova York, há dois anos atrás, que me disse textualmente: “Ah, eu sou contra. Porque eu não sei que geração vai surgir a partir disso”. Provavelmente uma geração com mais carinho, afeto, saúde, escolaridade e mais chances de ser feliz. Aliás, esta foi a minha resposta pra ela, numa esquina fria de Manhattan. Nunca mais nos vimos, Graças a Deus.

Os gays eram peça importante até para a publicidade uma vez que se uniam e não tinham filhos, portanto significavam padrão de vida alta até para o mercado de luxo,

Agora veio a união, que chegou tarde, muito tarde. Mas não tarde demais. Uma questão que deveria ser cartorial, mas a política sempre subverte valores dando tintas mais fortes ao que é realmente simples. Quem não se lembra do caso de Jorge Guinle, filho do playboy Jorginho Guinle, que deixou herança para seu marido e sua mãe roubou tudo, gerando morosa pendenga judicial?

E aí eu volto pra mesa, sem sair do lugar, e vejo aqueles semblantes casuais, cada um de seu jeito, o menininho girando em volta da mesa, sem incomodar em nenhum momento, aquelas obras de arte maravilhosas nas paredes que nos abrigavam, Marido 2 super solícito e bom anfitrião, desde o vinho ao café com chocolate especial  para harmonizarmos com o café quentinho e gostoso que ele fez.

É claro que Marido 2 estava fazendo um carinho a Marido 1, deixando que ele me recebesse mostrando suas obras, me fazendo sentir em casa, e sendo tão agradável.

Meu pensamento voltava à mesa novamente e eu pensava: tanto barulho por nada. É tão simples, é só deixar ser feliz. Problemas, todos tem, homos ou héteros. Por que detonar tanto algo que pode ser puro e belo?

Por que ser contra a adoção quando existem tantas crianças abandonadas, sozinhas, cujo futuro pode vir a ser tão ruim quanto inimaginável? É bom que se explique que gays não querem adotar crianças para fazer sexo selvagem na frente delas na sala. Ao contrário, estão em busca de uma rotina familiar, do lar, dos valores.

Por formação e pelas experiências da minha vida, sempre presto mais atenção do que deveria, a tudo. É difícil uma noite como essa acontecer e “apenas” me deixar feliz. A percepção de tudo que narrei até aqui é sempre mais forte, o olhar mais profundo.

Aliado a isto, tive pais que não tinham preconceitos. Não fui educada ouvindo “aquele negro safado”, ou “aquele negro de alma branca”, nem tampouco “aquele judeu ordinário”. Essas palavras não andavam juntas no vocabuláio dos dois. Isso fez com que eu crescesse conhecendo e avaliando “as verdades da vida”. E foi muito bom pra mim.

Marido 1, Marido 2, Meninas, podem me convidar sempre que eu vou correndo !!!

unnamed (27)