Orgulho

orgulho1

 

“Orgulho” é uma produção franco belga do
diretor e também ator Yvan Attal (“Minha
mulher é uma atriz”, de 2001 e “Viveram felizes
para sempre”, de 2004) que estreiou no
Festival Varilux de Cinema Francês 2018 e
talvez seja um dos melhores filmes atualmente
em cartaz e que vi nos últimos tempos.
Primeiro porque trata de um tema atual, real e
sério, pois aborda o preconceito e o racismo
francês em relação a pessoas de origem
muçulmana, aos negros e de uma forma mais
ampla aos imigrantes em geral, mas apesar de
se passar na França, poderia ser em qualquer
outro país da Europa e vai muito além de
qualquer fronteira. O próprio diretor é um
cidadão franco israelense que nasceu em
Israel, mas cresceu nos subúrbios de Paris,
então certamente viveu na pele ou presenciou
essa forte intolerância racial.

orgulho2
O filme conta o embate de Pierre Mazard um
professor arrogante e preconceituoso
interpretado pelo ator Daniel Auteil que implica
com uma aluna do Curso de Direito que chega
atrasada em seu primeiro dia de aula. Neila
Salah, vivido por Camélia Jordana, é uma
francesa de origem Argelina, que vive no
subúrbio de Creteil e é abertamente
discriminada pelo mestre na frente de toda a
classe por questões de raça, aparência, roupas
e linguajar.

 
A agressão verbal acaba sendo filmada por
outros alunos e o caso vai parar nas mãos do
reitor da Universidade que exige que o
professor tente limpar sua imagem para não
ser expulso, em troca ele daria um treinamento
especial à aluna para que ela representasse a
Instituição num concurso de retóricas.

 
De início a relação de ambos é visivelmente
conturbada e provocativa, mas aos poucos o
professor instiga a aluna a prosseguir nos
estudos e a faz navegar e aprofundar-se pelos
38 estrategemas de Schopenhauer, do livro “A
arte de ter razão”. Assim, Neila acaba por
dominar a técnica da persuação e é eleita para
representar a Universidade, mas ao descobrir
que estava sendo manipulada e usada como
uma forma de retratação, quase desiste de
tudo. Magoada com o professor fica dividida e
terá que decidir se irá acusá-lo ou absolvê-lo
das ofensas iniciais pela qual passou, na junta
que irá julgar a conduta do mestre.

orgulho3
Camélia Jordana obteve o César 2018 de
Melhor Atriz Revelação, o oscar do cinema
francês. O veterano Daniel Auteil também está
muito bem no papel do polêmico professor e
integram ainda o elenco Yasin Houicha, Nozha
Khouadra, Nicolas Vaude e Jean-Baptiste
Lafarge.

 
O próprio diretor Yvan Attal refere-se a seu
filme como uma dramédia, uma comédia
dramática que consegue arrancar algumas
risadas, e ao mesmo tempo aborda questões
político sociais importantes, mas tudo isso de
uma forma bem leve, movimentada e positiva,
que prende a atenção com frases filosóficas e
que faz do longa diversão garantida pra todos
os públicos.

 

Por Ula Pancetti.

Egon Schiele – Morte e Donzela

ula1

 

Egon Schiele –  Morte e Donzela ,do diretor Dieter Berner  é o próximo lançamento da Cineart Filmes  que estréia agora dia 19 de Julho e conta a vida deste pintor, contemporâneo de Klimt,  e um dos grandes nomes do movimento expressionista austríaco.  Aborda sua vida errante, a influência de suas inúmeras modelos e musas em sua obra, até a sua prematura e trágica morte em 1918, causada pela epidemia da gripe espanhola  na Primeira Guerra Mundial que infelizmente  não o permitiu vivenciar  toda a glória e o esplendor de sua arte.

Ainda jovem, perde o pai que morre de sífilis e desde então passa a ter uma vida itinerante, ora em Viena, ora em pequenas cidades do interior, onde passa a morar sozinho com sua irmã mais nova Gerti, uma de suas primeiras musas. Vivem  tanto da venda de seus desenhos, como das parcas economias que seu tutor o enviava.

Logo no início o filme talvez querendo mostrar o lado provocativo e controverso deste grande artista nos choca por fazer uma insinuação de uma relação quase incestuosa com sua irmã ou pelo menos algo que poderíamos dizer que seria muito fora dos padrões convencionais do amor e intimidade entre irmãos. Coisas que compreendiam desde um ciúmes doentio entre ambos até o estranho hábito de usá-la como modelo e pintá-la nua.

Sua vida libertina o faz se envolver com uma atriz negra de um prostíbulo, Moa Mandu e que por tempos passa a ser a musa da vez, o que provoca inúmeras brigas com sua irmã.  Juntamente com elas e outros dois amigos artistas, passam a viver todos  juntos  e escandalizam a pacata cidade de Krumau. Nessa época surge o  Neukunstgruppe “Grupo nova arte”, que rompia com o lado conservador da Academia de Viena.

Mais tarde essa tendência de chocar e contrariar a sociedade local  e a mania de usar modelos menores de idade , o leva à prisão, acusado de ter sequestrado uma jovem de 14 anos, Tatjana von Mossig. Mesmo tendo  sido inocentado , fica por um tempo detido, pois sua obra era considerada por demais erótica e pornográfica. Inclusive teve  um de seus desenhos queimados pelo juiz em plena corte e centenas de obras apreendidas no período.

 

ula2

Talvez suas idéias revolucionárias o tenham feito se aproximar de Gustav Klimt, artista mais velho  e experiente e bastante polêmico que era totalmente contra os dogmas moralistas da época  e que certamente  influenciou bastante  sua obra. Por um tempo Klimt  funcionou como uma espécie de mentor para Schiele,  e o ajudava  tanto comprando suas obras ou mesmo trocando pelas suas, além de financiar musas para o promissor pintor. Foi o  responsável também por apresentar uma das modelos com quem depois Schiele vai viver uma tórrida relação, a musa Valerie Neuzil , ou simplesmente Wally.

“Morte e Donzela”, aliás, é o título de um dos seus quadros mais famosos e talvez mais belos , onde retrata a si mesmo e a Wally, pouco antes de abandoná-la  em 1915 para servir na guerra  e casar-se com Edith Harms.

Podemos dizer que o clímax do filme talvez esteja neste trecho em que pinta este famoso quadro que simboliza o próprio término e desfecho deste relacionamento e ao mesmo tempo mostra um lado egoísta, frio e contraditório  de um artista preocupado em demasia consigo mesmo e com sua própria arte.

 

ula3

“A morte e a mulher”, 1915

 

 

Deixa em aberto o frágil envolvimento com a mulher que viria se casar, escolhida quase que aleatoriamente entre duas irmãs ricas, suas vizinhas na época.

Schiele esperando não ter que servir a pátria já que era um artista, é considerado apto e parte para os campos de guerra. Nesta época recebia visitas de sua atual esposa que não gostava de ser retratada daquela forma tão despudorada como ele sempre fez com suas musas anteriores. Em seu retorno participa de uma grande exposição em Viena que o projeta no cenário artístico, valorizando em muito suas obras. Porém não chega a usufruir deste sucesso , pois  sua esposa Edith, grávida de seis meses contrai a gripe espanhola  e vem a falecer e ele também  morrerá  em seguida desta mesma doença.

Por mais que de uma forma sutil o filme mostre a tormenta da perda do pai e até mesmo um ar por demais egocêntrico ao espelho, não aborda claramente             o que isso representou e é tão marcante na obra deste pintor que foi a constante busca e entendimento da sexualidade e do sofrimento humano. Toda essa angústia que sentia e o atormentava o fazia retratar muito mais do que simplesmente corpos nus e um erotismo escrachado. Na verdade  Schiele expressava em suas telas rostos amargurados, pessoas comuns , pobres,  prostitutas e seus corpos distorcidos, meio disformes e até um tanto andróginos , tendo  por muitas vezes  também se auto retratado desta forma.  Diferentemente do filme anterior produzido em 1981, “Egon Schiele – Excesso e Punição” do diretor Herbert Vesely que fez questão de mostrar um pintor constantemente aturdido em seus devaneios e alucinações, o novo longa apesar da belíssima fotografia de Carsten Thiele e a fiel representação de época, peca talvez por escolher ficar na  superficialidade da narrativa histórica e não apresentar o lado mais enigmático da obra de Schiele.

Por Ula Pancetti.

Canastra Suja

canastra1

“Canastra Suja” com direção e roteiro de  Caio Sóh (“Teus Olhos Meus”e “Minutos Atrás”) está em cartaz e tem como ponto  forte a brilhante atuação do elenco que conta com Adriana  Esteves no papel de Maria, uma dona de casa que cuida de seus três filhos e seu marido alcóolatra Batista que trabalha como manobrista num apart-hotel , interpretado por Marco Ricca. A atriz Bianca Bin é a filha mais velha, e vive Emília que se divide entre o emprego num consultório de um dentista com quem mantém um flerte e cuidar de sua irmã mais nova, vivida por Cacá Ottoni no difícil papel da filha autista.  Já o novato Pedro Nercessian, cujo personagem é seu xará, interpreta o filho renegado pelo pai. Outra figura ligada a família e importante neste cenário é Tatu, o namorado de Emília e ao mesmo tempo, o amante de Maria, vivido pelo ator David Junior.

 

canastra2

Maria cansada daquela vidinha um tanto sem graça, parece só se preocupar em manter-se em forma, fazendo o uso exagerado de remédios e exercícios ao ponto de  negligenciar a filha autista, deixando-a acorrentada enquanto transa com o amante, o que quase causa uma grande tragédia. Emília é uma fogosa e sedutora garota virgem em pleno século 21, que usa esse artifício como trunfo para ascender a uma vida melhor.

Seu irmão Pedro, em constantes brigas com o pai, a pretexto de sair de casa acaba se prostituindo, o que rendem engraçadas cenas a beira da piscina do rico cafetão, vivido pelo ator Milhen Cortaz.

Tatu é aquele cara que quer se dar bem e ganhar dinheiro fácil e rapidamente, o que o leva a fazer programas com homens. E pela insistência de Pedro acaba levando o cunhado para o mesmo caminho.

canastra3

E Batista, o patriarca deste conturbado clã, reconhece que o alcoolismo o torna violento demais com aqueles que ama, vemos isso logo numa das primeiras cenas do filme,  em que participa de uma sessão do AA e busca coragem pra enfrentar o vício e o preconceito explícito. Mas não ficará imune às acusações de roubo por um dos moradores do Apart Hotel que acarreta na sua demissão e à expulsão de casa pelo possível estupro da própria filha.

 

canastra4

Marco Ricca, talvez num dos melhores momentos de sua carreira  está maravilhoso  no papel deste pai , um  homem visivelmente sofrido e amargurado e Adriana Esteves simplesmente dá um banho de interpretação na cena em que desabafa com o filho que a acusa de maus tratos da irmã, num rompante grito desesperado de uma mulher em busca da sua própria felicidade.

Poderia parecer apenas um filme sobre o drama de uma família comum de classe média baixa, com suas dificuldades de convivência e de ter que lidar com as durezas da vida, mas como num jogo de cartas os personagens acabam sendo o grande destaque e assumem até um ar meio Rodrigueano, mostrando o lado sórdido, cruel, imoral e egoísta do ser humano, mas que apesar de tudo, conseguem driblar a ruína dessa estrutura familiar num mirabolante e inesperado desfecho.

Tungstênio

quadrinho tungstenio
Tungstênio é o novo filme do diretor Heitor Dhalia que estreou dia 21 de Junho e foi baseado na história homônima do quadrinista Marcello Quintanilha, que teve sua HQ premiada em 2016 no Festival Internacional de história em quadrinhos  de Angoulême na França, com o prêmio Fauve Polar-SNCF de melhor quadrinho  no estilo romance policial.
O nome forte e estranho é o de um elemento químico extremamente duro, utilizado normalmente na confecção de luzes fluorescentes, armamentos e munição e que tem o maior ponto de fusão e ebulição entre os metais  da tabela periódica. Como Heitor explicou em entrevista, Marcello a utiliza como uma metáfora que compara o metal duro a própria vida. E disse ainda: “É a forma como cada personagem lida com essa dureza, como você manuseia,  atravessa ou contorna a dureza que a vida nos traz. E Tungstênio é esse ponto de explosão, o momento em que toda a banalidade do cotidiano e as tensões que estão submersas  se deflagram.”
O longa que tem produção da Paranoid, coprodução da Globo Filmes e Canal Brasil e distribuição da Pagu Pictures,aborda temas difíceis como o abuso de gênero, o racismo latente, a pobreza e o uso da força em diversas relações violentas e reais de um Brasil contemporâneo.
A história se passa em Salvador e a trama se desenrola em função de dois pescadores que utilizam explosivos pra pescar e acabam entrelaçando  o cotidiano de 4 elementos centrais.  José Dumont , brilha como sempre  e  encarna o papel de Seu Ney, um sargento do exército aposentado, que continua a usar a rigidez dos tempos de outrora, o talentoso ator baiano Fabricio Boliveira vive o papel de Richard, policial violento e durão em conflito constante com sua esposa Keira que está prestes a largá-lo, cansada da violência do marido e é interpretada pela modelo e atriz estreante no cinema, Samira Carvalho, muito bem, aliás,  nas suas catarses dramáticas, e o também novato e promissor  ator baiano Wesley Guimarães, no papel de Caju, pequeno traficante que tem que lidar com a realidade nua e crua da periferia.
SEU NEY
Cada um deles vai viver seus dramas pessoais e se depara com as ambiguidades e fragilidades  do ser humano, o sargento durão também se revela doce com sua parceira nos bailes da terceira idade, o policial percebe que apesar de não conseguir deter seus instintos masculinos e violentos ama sua mulher,  tem também uma esposa dividida entre obter o respeito do marido e resistir ao amor e desejo que sente por ele e o traficante que vive um drama de consciência quando sua sede de vingança esbarra com a possibilidade de ver sua mãe feliz.
Afinado com o quadrinista, o diretor tentou se manter ao máximo fiel à HQ original  a ponto de Marcello elogiar o resultado final da difícil tarefa de transpor pras telas, toda a força de seu traço e disse ainda que isso se deve também  ao excelente trabalho do elenco que agrega suas próprias experiências pessoais  e dão vida aos personagens concebidos inicialmente  pra um quadrinho, em uma linguagem totalmente viva e mutável de uma  experiência cinematográfica.
Toda essa trama tem a voz de fundo do ator Milhen Cortaz que ao mesmo tempo que vai narrando e dramatizando as cenas, funciona como a própria consciência dos personagens, nossos anjos e demônios internos na eterna luta entre o bem e o mal.
O bacana do filme é que tanto Heitor que assina o projeto em parceria com Guel Arraes quanto Marcello que participa do roteiro juntamente com Marçal de Aquino e Fernando Bonassi, fizeram questão de retratar uma Salvador desconhecida da maioria de nós, os tradicionais cartões postais, cederam lugar a beleza do Forte de Nossa Senhora de Mont Serrat, da Praia da Boa Viagem, da Ponta do Humaitá e dos bairros da Ribeira e da Gamboa que mostram uma periferia esquecida e que normalmente  fica à margem da sociedade soteropolitana.
PERIFERIA E PEIXE MORTO
Outro ponto forte do filme é a belíssima fotografia de Adolpho Veloso, que ao invés de usar o mesmo recurso do preto & branco da HQ, abusa da cor chapada, forte, com altos tons de contraste e um leve toque aveludado e azulado que torna tudo mais vívido e intenso. Interessante também o recurso do uso de alguns desenhos do quadrinista  em  momentos de tensão,  onde se tem a reprodução desta mesma  cena e o congelamento das imagens  que nos remete direto ao universo de uma HQ e ao mesmo tempo evoca bem lá no fundo o cinema de Tarantino,  tudo isso  ao som constante de um berimbau que nos envolve num ritmo  crescente e eletrizante.
Assim como o metal , o filme Tungstênio pode ser  resumido num thriller denso, duro  e resistente  muito bem espelhado tanto  nas imagens da  pesca predatória com bombas até as luzes incandescentes de uma bela Salvador, mas que no fundo  explode mesmo e chega ao seu clímax de ruptura  ao fazer com que o expectador mergulhe  nas  emoções de cada  personagem, vivenciando sua raiva, medo, dor e amor, sentimentos tão puros e inerentes  a natureza humana.
Por Ula Pancetti

 

Hoje é dia do mecenas Maurício de Nassau e dos artistas Frans Post e Albert Eckhout em O Brasil Holandês no Séc XVII

                                                unnamed (8)

 

Maurício de Nassau – O Brasil Holandês – Séc XVII

QT_-_Johann_Moritz_1937

O conde Maurício de Nassau aportou em Pernambuco, em 23 de janeiro de 1637 e trouxe em sua comitiva, não um exército, mas uma verdadeira missão artística e científica, o que até hoje desperta a atenção dos estudiosos desse período. Ao chegar ao Brasil, o conde Maurício de Nassau-Siegen procurou imediatamente estabelecer a segurança da colônia holandesa, reunindo um exército capaz de afastar as tropas luso-brasileiras para o outro lado do Rio São Francisco, na Bahia. Maurício de Nassau estabeleceu na margem esquerda do Rio São Francisco o limite sul da conquista, o Forte Maurício na  Vila do Penedo.
O conde de Nassau-Siegen estava pronto para se dedicar à tarefa de restabelecimento econômico da colônia, restaurando a indústria açucareira que, com o abandono dos engenhos pelos antigos proprietários luso-brasileiros e dos estragos causados pelas seguidas guerras, encontravam-se em ruínas. Em 1640, Portugal reconquista sua independência, com a expulsão dos Felipes da Espanha e a assunção ao trono do nobre João de Bragança, dessa forma D. João IV, procura desde cedo, retomar as relações de amizade com todas as potências inimigas da monarquia espanhola.
Em 12 de junho de 1641, Portugal celebra com a Holanda um Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva, porém, o Tratado não tem efeito nas colônias portuguesas, em poder dos holandeses,pois o governo holandês no Brasil recebe a notícia somente em 3 de Julho de 1642. Nesse ínterim, aproveitando-se das circunstâncias, o conde Maurício de Nassau-Siegen amplia os domínios de seu governo e ocupa Sergipe, Ceará e Maranhão, contudo pouco depois, em 28 de fevereiro de 1644, os holandeses são expulsos do Maranhão e concentram suas atenções em Pernambuco. Durante a administração do conde Maurício de Nassau-Siegen, o progresso vigorou de forma impressionante.
As fronteiras foram finalmente estabelecidas do Maranhão à foz do Rio São Francisco. A cidade do Recife passou por inúmeros melhoramentos urbanísticos, como a instalação de duas pontes de grandes dimensões – a primeira ligando Recife à ilha Antônio Vaz e a outra da ilha Antônio Vaz ao continente. Supostamente essas foram as primeiras pontes construídas no Brasil.
Nesse período, Nassau construiu o palácio de Friburgo e a Casa da Boa Vista – um Horto Zoobotânico. Instalou o primeiro Observatório Astronômico das Américas e diversas outras obras de infra-estrutura, como nunca havia se visto na região.
A 22 de maio de 1644, o conde Maurício de Nassau retorna à Europa, após sete anos de governo, por pressão da Companhia das Índias Ocidentais, que desejava imprimir à colônia rumos distintos a seus desejos. Nassau era um mecenas e desejava formar do Brasil holandês, uma nação próspera e forte, governando com justiça e sabedoria. Procurou expandir o comércio, as artes, a indústria e as profissões liberais; incentivou a lavoura e a pecuária. Porém, seu programa de governo, ocasionaria despesas e reduziria os recursos imediatos da Companhia e, por isso, foi desprestigiado .
A finalidade da Companhia era retirar o máximo proveito financeiro da colônia, pouco importando o progresso ou o futuro da mesma, arrancando-lhe tudo o que podia. Após a retirada de Nassau, a W.I.C. passou a extorquir os moradores locais e portugueses. Os colonos, então, procuram salvar suas economias enterrando-as no interior das florestas, o que provocou, cada vez mais, a falta de dinheiro em circulação. Para minimizar essa situação caótica, a Companhia enviou para Pernambuco 27.000 florins em moedas de um soldo, dois soldos e xelins; porém, a situação tornara-se irreversível.
Em 13 de junho de 1645, se inicia a Insurreição Pernambucana e, com ela, avolumou-se cada vez mais a crise monetária, tornando-a prontamente angustiante. O momento era de entressafra do açúcar e não havia dinheiro suficiente nem para pagar as tropas que eram compostas de mercenários de todas as nacionalidades e que estavam à mercê dos ataques das tropas luso-brasileiras. Nesse ínterim, foi declarada a guerra entre Holanda e a Inglaterra (1652-1654). Esse fato favoreceu o Insurreição Pernambucana, visto que a Holanda ficava impossibilitada de socorrer sua colônia no Brasil. Aliás, o Conselho dos XIX da G.W.C. dificilmente enviava recursos à colônia e não seria nesse momento que haveria de fazê-lo.

ARTE HOLANDESA (BRASIL SÉC XVII)

Na virada do século, os portugueses defenderam o Brasil dos invasores ingleses, franceses e holandeses. Porém, os holandeses resistiram e se instalaram no nordeste do país por quase 25 anos (início em 1624). 
O Conde Maurício de Nassau trouxe à “Nova Holanda” artistas e cientistas que se instalaram em Recife. Foi sob a orientação de Nassau que o arquiteto Pieter Post projetou a construção da Cidade Maurícia e também os palácios e prédios administrativos. 
Embora fosse comum a presença de artistas nas primeiras expedições enviadas à América, Maurício de Nassau afirmou, em carta à Luiz XIV, em 1678, ter a sua disposição seis pintores no Brasil, entre os quais Holandeses, flamengos, alemães, os chamados pintores de Nassau, por não serem católicos, puderam facilmente dedicar-se a temas profanos, o que não era permitido aos portugueses. Em conseqüência disso foram os primeiros artistas no Brasil e na América a abordar a paisagem, os tipos étnicos, a fauna e a flora como temática de suas produções artísticas, livre dos preconceitos e das superstições que era de praxe se encontrar nas representações pictóricas que apresentavam temas americanos. Foram verdadeiros repórteres do século XVII. 

Dois nomes desse grupo se tornaram célebres: o de Frans Post (1612-1680) e o de Albert Eckhout (1610-1665). Cabia ao primeiro pintar paisagens e documentar os feitos de Nassau. Ao segundo, retratar os tipos étnicos que encontrasse, além da fauna e da flora que fascinavam os europeus. Pioneiras, as telas de ambos fazem parte da cartilha básica de imagens sobre o Brasil. 

FRANS J. POST 

640px-Frans_Hals_-_Frans_Post_(Worcester_Art_Museum)

Nascido em Haarlen, Holanda (1612-1680), foi pintor, desenhista e gravador. Tinha 24 anos quando chegou ao Brasil, contratado por Nassau, permaneceria até 1644. Era irmão do arquiteto Pieter Post. Sua principal tarefa era nas novas terras do foi documentar edifícios, portos e fortificações. Destacou-se entre os pintores de Nassau: é considerado o primeiro paisagista a trabalhar nas Américas. 
Foi autor de cerca de 150 obras, costumava pintar pequenas figuras para funcionar como pontos de atração nos quadros e deixa-los mais interessantes. Vários museus do mundo mantêm em seus acervos obras de sua autoria, no Brasil podemos ver a sua obra no MASP, em São Paulo, MNBA no rio de Janeiro e no Instituto Ricardo Brennand em Recife que conta com 15 obras do artista.

CURIOSIDADE
Vista de Itamaracá, pintado em 1637, é considerada a pintura feita por um pintor profissional mais antiga das Américas – Frans Post
1024px-Frans_Post_002
ALGUMAS OBRAS DE FRANS J. POST DO ACERVO DO INSTITUTO RICARDO BRENNAND – RECIFE
Frans-Post-_The-Home-of-a-_Labrador_-in-Brazil_-2- Imagem Frans Post 1. irb-frans-post-engenho-pe-wikimedia-commons  
DE OLHO NO MERCADO
A OBRA MAIS CARA VENDIDA NO MERCADO DE ARTE DE AUTORIA DE FRANS J. POST FOI ARREMATADA NA SOTHEBY´S NEW YORK, EM 30 DE JANEIRO DE 1997 POR 4.512.500 USD , HOJE O EQUIVALENTE A R$ 12.179.237,00 , VEJA ABAIXO E CONFIRA.
picture (1)

Frans Jansz Mensagem
Título vista da cidade e da herdade de Frederik na Paraíba, Brasil
Óleo sobre tela
Ano de Trabalho 1638
Tamanho Altura 23,7 em .; Largura 33,3 pol. / 60,3 centímetros de altura .; Largura 84,5 centímetros.
Misc. Assinado, inscrito
Venda de Sotheby New York: quinta-feira, 30 de janeiro, 1997 [Lote 00010]
Importantes pinturas de antigos mestres
Estime 600.000 – 800.000 USD
Vendido para 4.512.500 USD premium Currency Converter
A ÚLTIMA OBRA DE AUTORIA DE FRANS J. POST VENDIDA NO MERCADO DE ARTE FOI ARREMATADA NA SOTHEB´S LONDRES, EM 09 DE JULHO DE 2014 POR  962.500 LIBRAS ESTERLINAS HOJE O EQUIVALENTE A R$ 4.023.250,00 , VEJA ABAIXO E CONFIRA.
picture
Frans Jansz Mensagem
Título Paisagem no Brasil
Descrição Assinado canto inferior esquerdo: F POST
Óleo no painel do carvalho
20,3 por 26,6 centímetros .; 8 por 10 1/2 in.
A PROPRIEDADE DE UM CAVALHEIRO
Catálogo Nota
Esta é uma de duas pinturas a partir da mesma coleção da família que só muito recentemente veio à luz. O outro, um pouco maior em tamanho e datado de 1663, foi vendido nestes quartos no 4 de julho de 2007, lote 32 (£ 714,400). Ambos foram descobertos apenas depois da edição em Inglês de Pedro e Bea Corrêa do recente catálogo raisonné de Lago da obra de Post tinha ido para press.1
O edifício à esquerda é quase certamente o fim de uma usina de açúcar, provavelmente uma estrutura erguida pelos portugueses e tomado pelos colonos holandeses. Usinas de açúcar similares, construídas de pedra calcária local arcada com abertas empena-ends, pode ser visto em muitas das pinturas de Correios do Brasil. Uma mostrava em grande detalhe está na pintura datada de 1644, pintado por Johan Maurits van Nasau-Siegen, e agora, no Musée du Louvre, Paris.2 No presente trabalho, o edifício além dela para a esquerda, em cima de uma colina , é, sem dúvida, a intenção de ser a casa do moinho-proprietário da. Uma casa de quatro águas-empena semelhante, com uma varanda aberta no primeiro andar pode ser visto em uma pintura Sugar Mill em Recife, Instituto Ricardo Brennand.3 A estrutura acima e à direita é uma capela porched, também, provavelmente, originalmente português. Capelas semelhantes ocorrem em várias das paisagens do post com as usinas de açúcar pintadas no final dos anos 1660, durante o que Corrêa do Lago definido como terceira fase do Post de atividade, e do presente trabalho é provável que pertencem a esta data e phase.4
1. P. e B. Corrêa do Lago, Frans Post (1612-1680), Milan de 2007.
2. Idem, p. 216, n. 59, reproduzido.
3. Idem, p. 292, n. 114, reproduzido, especialmente o detalhe enfrentando página.
4. Para uma capela semelhante ver o Sugar Mill datado de 1667, em São Paulo, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano; idem, p. 279, não. 104, reproduzido
Óleo sobre painel
Tamanho Altura em 8 .; Largura 10,5 pol. / 20,3 centímetros de altura .; Largura 26,6 centímetros.
Misc. assinado
Venda de Londres da Sotheby: quarta-feira 9 julho, 2014 [Lote 00048]
Old Master & Paintings britânicos Evening Venda
Estime 300.000 – 500.000 libras esterlinas (513.874 – 856.457 USD)
Vendido para 962.500 libras esterlinas (1.648.681 USD) premium Currency Converter
Procedência por descendência da família do actual proprietário, desde o século XVIII
Literatura Q. Buvelot, “Revisão de P. e B. Corrêa do Lago, Frans Post, 1612-1680; catálogo raisonné “, no Burlington Magazine, vol. CL, não. 1259, fevereiro de 2008, p. 117, n. 2
ALBERT ECKHOUT (NÃO APRESENTA REGISTRO DE AUTO RETRATO, O MESMO FOI PERDIDO EM INCÊNDIO)

Nascido em Groninger, Holanda (1610-1666), foi artista e botânico, veio para o Brasil em 1637 e permaneceu até 1644, como pintor contratado por Maurício de Nassau. Aqui realizou grande parte de sua obra, nela destacam-se naturezas-mortas com frutas e legumes tropicais, representações dos tipos humanos que habitavam o país e costumes. Ficou fascinado pelo o que encontrou no Brasil. 

Quase nenhuma informação sobreviveu a respeito de Eckhout. Ele ficou no Brasil por sete anos, de 1637 a 1644. O que fez antes é nebuloso, assim como o destino que teve após voltar à Europa. Quando os holandeses foram expulsos do Nordeste, Maurício de Nassau levou as telas consigo e as deu de presente ao seu primo, Frederico III, rei da Dinamarca. Isso explica por que elas pertencem ao museu nacional de Copenhague. Dom Pedro II tentou por duas vezes trazer os quadros para o Brasil, mas o máximo que conseguiu foram cópias reduzidas de seis deles.
ALGUMAS OBRAS DE AUTORIA DE ECKHOUT PROVENIENTES DO ACERVO DO MUSEU NACIONAL DE COPENHAGUE

Albert_Eckhout_-_Dom_Miguel_de_Castro danca I48381007 I48381008  india-tapuia-eckhout

DE OLHO NO MERCADO

NÃO EXISTEM REGISTROS DE VENDA DE OBRAS A ÓLEO DE AUTORIA DE ALBERT ECKHOUT NOS ÚLTIMOS  35 ANOS, MAS PODEMOS ESTIMAR QUE UMA OBRA DELE VALERIA EM TORNO DE  10.416,66 MILHÕES DE USD HOJE O EQUIVALENTE A R$ 28.114,56 MILHÕES DE REAIS, VEJA E CONFIRA MATÉRIA DA REVISTA VEJA DE 18 DE SETEMBRO DE 2002 NO LINK ABAIXO

http://veja.abril.com.br/180902/p_124.html
Boa Leitura !
Martha Burle