Hoje é dia do mecenas Maurício de Nassau e dos artistas Frans Post e Albert Eckhout em O Brasil Holandês no Séc XVII

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Maurício de Nassau – O Brasil Holandês – Séc XVII

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O conde Maurício de Nassau aportou em Pernambuco, em 23 de janeiro de 1637 e trouxe em sua comitiva, não um exército, mas uma verdadeira missão artística e científica, o que até hoje desperta a atenção dos estudiosos desse período. Ao chegar ao Brasil, o conde Maurício de Nassau-Siegen procurou imediatamente estabelecer a segurança da colônia holandesa, reunindo um exército capaz de afastar as tropas luso-brasileiras para o outro lado do Rio São Francisco, na Bahia. Maurício de Nassau estabeleceu na margem esquerda do Rio São Francisco o limite sul da conquista, o Forte Maurício na  Vila do Penedo.
O conde de Nassau-Siegen estava pronto para se dedicar à tarefa de restabelecimento econômico da colônia, restaurando a indústria açucareira que, com o abandono dos engenhos pelos antigos proprietários luso-brasileiros e dos estragos causados pelas seguidas guerras, encontravam-se em ruínas. Em 1640, Portugal reconquista sua independência, com a expulsão dos Felipes da Espanha e a assunção ao trono do nobre João de Bragança, dessa forma D. João IV, procura desde cedo, retomar as relações de amizade com todas as potências inimigas da monarquia espanhola.
Em 12 de junho de 1641, Portugal celebra com a Holanda um Tratado de Aliança Defensiva e Ofensiva, porém, o Tratado não tem efeito nas colônias portuguesas, em poder dos holandeses,pois o governo holandês no Brasil recebe a notícia somente em 3 de Julho de 1642. Nesse ínterim, aproveitando-se das circunstâncias, o conde Maurício de Nassau-Siegen amplia os domínios de seu governo e ocupa Sergipe, Ceará e Maranhão, contudo pouco depois, em 28 de fevereiro de 1644, os holandeses são expulsos do Maranhão e concentram suas atenções em Pernambuco. Durante a administração do conde Maurício de Nassau-Siegen, o progresso vigorou de forma impressionante.
As fronteiras foram finalmente estabelecidas do Maranhão à foz do Rio São Francisco. A cidade do Recife passou por inúmeros melhoramentos urbanísticos, como a instalação de duas pontes de grandes dimensões – a primeira ligando Recife à ilha Antônio Vaz e a outra da ilha Antônio Vaz ao continente. Supostamente essas foram as primeiras pontes construídas no Brasil.
Nesse período, Nassau construiu o palácio de Friburgo e a Casa da Boa Vista – um Horto Zoobotânico. Instalou o primeiro Observatório Astronômico das Américas e diversas outras obras de infra-estrutura, como nunca havia se visto na região.
A 22 de maio de 1644, o conde Maurício de Nassau retorna à Europa, após sete anos de governo, por pressão da Companhia das Índias Ocidentais, que desejava imprimir à colônia rumos distintos a seus desejos. Nassau era um mecenas e desejava formar do Brasil holandês, uma nação próspera e forte, governando com justiça e sabedoria. Procurou expandir o comércio, as artes, a indústria e as profissões liberais; incentivou a lavoura e a pecuária. Porém, seu programa de governo, ocasionaria despesas e reduziria os recursos imediatos da Companhia e, por isso, foi desprestigiado .
A finalidade da Companhia era retirar o máximo proveito financeiro da colônia, pouco importando o progresso ou o futuro da mesma, arrancando-lhe tudo o que podia. Após a retirada de Nassau, a W.I.C. passou a extorquir os moradores locais e portugueses. Os colonos, então, procuram salvar suas economias enterrando-as no interior das florestas, o que provocou, cada vez mais, a falta de dinheiro em circulação. Para minimizar essa situação caótica, a Companhia enviou para Pernambuco 27.000 florins em moedas de um soldo, dois soldos e xelins; porém, a situação tornara-se irreversível.
Em 13 de junho de 1645, se inicia a Insurreição Pernambucana e, com ela, avolumou-se cada vez mais a crise monetária, tornando-a prontamente angustiante. O momento era de entressafra do açúcar e não havia dinheiro suficiente nem para pagar as tropas que eram compostas de mercenários de todas as nacionalidades e que estavam à mercê dos ataques das tropas luso-brasileiras. Nesse ínterim, foi declarada a guerra entre Holanda e a Inglaterra (1652-1654). Esse fato favoreceu o Insurreição Pernambucana, visto que a Holanda ficava impossibilitada de socorrer sua colônia no Brasil. Aliás, o Conselho dos XIX da G.W.C. dificilmente enviava recursos à colônia e não seria nesse momento que haveria de fazê-lo.

ARTE HOLANDESA (BRASIL SÉC XVII)

Na virada do século, os portugueses defenderam o Brasil dos invasores ingleses, franceses e holandeses. Porém, os holandeses resistiram e se instalaram no nordeste do país por quase 25 anos (início em 1624). 
O Conde Maurício de Nassau trouxe à “Nova Holanda” artistas e cientistas que se instalaram em Recife. Foi sob a orientação de Nassau que o arquiteto Pieter Post projetou a construção da Cidade Maurícia e também os palácios e prédios administrativos. 
Embora fosse comum a presença de artistas nas primeiras expedições enviadas à América, Maurício de Nassau afirmou, em carta à Luiz XIV, em 1678, ter a sua disposição seis pintores no Brasil, entre os quais Holandeses, flamengos, alemães, os chamados pintores de Nassau, por não serem católicos, puderam facilmente dedicar-se a temas profanos, o que não era permitido aos portugueses. Em conseqüência disso foram os primeiros artistas no Brasil e na América a abordar a paisagem, os tipos étnicos, a fauna e a flora como temática de suas produções artísticas, livre dos preconceitos e das superstições que era de praxe se encontrar nas representações pictóricas que apresentavam temas americanos. Foram verdadeiros repórteres do século XVII. 

Dois nomes desse grupo se tornaram célebres: o de Frans Post (1612-1680) e o de Albert Eckhout (1610-1665). Cabia ao primeiro pintar paisagens e documentar os feitos de Nassau. Ao segundo, retratar os tipos étnicos que encontrasse, além da fauna e da flora que fascinavam os europeus. Pioneiras, as telas de ambos fazem parte da cartilha básica de imagens sobre o Brasil. 

FRANS J. POST 

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Nascido em Haarlen, Holanda (1612-1680), foi pintor, desenhista e gravador. Tinha 24 anos quando chegou ao Brasil, contratado por Nassau, permaneceria até 1644. Era irmão do arquiteto Pieter Post. Sua principal tarefa era nas novas terras do foi documentar edifícios, portos e fortificações. Destacou-se entre os pintores de Nassau: é considerado o primeiro paisagista a trabalhar nas Américas. 
Foi autor de cerca de 150 obras, costumava pintar pequenas figuras para funcionar como pontos de atração nos quadros e deixa-los mais interessantes. Vários museus do mundo mantêm em seus acervos obras de sua autoria, no Brasil podemos ver a sua obra no MASP, em São Paulo, MNBA no rio de Janeiro e no Instituto Ricardo Brennand em Recife que conta com 15 obras do artista.

CURIOSIDADE
Vista de Itamaracá, pintado em 1637, é considerada a pintura feita por um pintor profissional mais antiga das Américas – Frans Post
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ALGUMAS OBRAS DE FRANS J. POST DO ACERVO DO INSTITUTO RICARDO BRENNAND – RECIFE
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DE OLHO NO MERCADO
A OBRA MAIS CARA VENDIDA NO MERCADO DE ARTE DE AUTORIA DE FRANS J. POST FOI ARREMATADA NA SOTHEBY´S NEW YORK, EM 30 DE JANEIRO DE 1997 POR 4.512.500 USD , HOJE O EQUIVALENTE A R$ 12.179.237,00 , VEJA ABAIXO E CONFIRA.
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Frans Jansz Mensagem
Título vista da cidade e da herdade de Frederik na Paraíba, Brasil
Óleo sobre tela
Ano de Trabalho 1638
Tamanho Altura 23,7 em .; Largura 33,3 pol. / 60,3 centímetros de altura .; Largura 84,5 centímetros.
Misc. Assinado, inscrito
Venda de Sotheby New York: quinta-feira, 30 de janeiro, 1997 [Lote 00010]
Importantes pinturas de antigos mestres
Estime 600.000 – 800.000 USD
Vendido para 4.512.500 USD premium Currency Converter
A ÚLTIMA OBRA DE AUTORIA DE FRANS J. POST VENDIDA NO MERCADO DE ARTE FOI ARREMATADA NA SOTHEB´S LONDRES, EM 09 DE JULHO DE 2014 POR  962.500 LIBRAS ESTERLINAS HOJE O EQUIVALENTE A R$ 4.023.250,00 , VEJA ABAIXO E CONFIRA.
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Frans Jansz Mensagem
Título Paisagem no Brasil
Descrição Assinado canto inferior esquerdo: F POST
Óleo no painel do carvalho
20,3 por 26,6 centímetros .; 8 por 10 1/2 in.
A PROPRIEDADE DE UM CAVALHEIRO
Catálogo Nota
Esta é uma de duas pinturas a partir da mesma coleção da família que só muito recentemente veio à luz. O outro, um pouco maior em tamanho e datado de 1663, foi vendido nestes quartos no 4 de julho de 2007, lote 32 (£ 714,400). Ambos foram descobertos apenas depois da edição em Inglês de Pedro e Bea Corrêa do recente catálogo raisonné de Lago da obra de Post tinha ido para press.1
O edifício à esquerda é quase certamente o fim de uma usina de açúcar, provavelmente uma estrutura erguida pelos portugueses e tomado pelos colonos holandeses. Usinas de açúcar similares, construídas de pedra calcária local arcada com abertas empena-ends, pode ser visto em muitas das pinturas de Correios do Brasil. Uma mostrava em grande detalhe está na pintura datada de 1644, pintado por Johan Maurits van Nasau-Siegen, e agora, no Musée du Louvre, Paris.2 No presente trabalho, o edifício além dela para a esquerda, em cima de uma colina , é, sem dúvida, a intenção de ser a casa do moinho-proprietário da. Uma casa de quatro águas-empena semelhante, com uma varanda aberta no primeiro andar pode ser visto em uma pintura Sugar Mill em Recife, Instituto Ricardo Brennand.3 A estrutura acima e à direita é uma capela porched, também, provavelmente, originalmente português. Capelas semelhantes ocorrem em várias das paisagens do post com as usinas de açúcar pintadas no final dos anos 1660, durante o que Corrêa do Lago definido como terceira fase do Post de atividade, e do presente trabalho é provável que pertencem a esta data e phase.4
1. P. e B. Corrêa do Lago, Frans Post (1612-1680), Milan de 2007.
2. Idem, p. 216, n. 59, reproduzido.
3. Idem, p. 292, n. 114, reproduzido, especialmente o detalhe enfrentando página.
4. Para uma capela semelhante ver o Sugar Mill datado de 1667, em São Paulo, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano; idem, p. 279, não. 104, reproduzido
Óleo sobre painel
Tamanho Altura em 8 .; Largura 10,5 pol. / 20,3 centímetros de altura .; Largura 26,6 centímetros.
Misc. assinado
Venda de Londres da Sotheby: quarta-feira 9 julho, 2014 [Lote 00048]
Old Master & Paintings britânicos Evening Venda
Estime 300.000 – 500.000 libras esterlinas (513.874 – 856.457 USD)
Vendido para 962.500 libras esterlinas (1.648.681 USD) premium Currency Converter
Procedência por descendência da família do actual proprietário, desde o século XVIII
Literatura Q. Buvelot, “Revisão de P. e B. Corrêa do Lago, Frans Post, 1612-1680; catálogo raisonné “, no Burlington Magazine, vol. CL, não. 1259, fevereiro de 2008, p. 117, n. 2
ALBERT ECKHOUT (NÃO APRESENTA REGISTRO DE AUTO RETRATO, O MESMO FOI PERDIDO EM INCÊNDIO)

Nascido em Groninger, Holanda (1610-1666), foi artista e botânico, veio para o Brasil em 1637 e permaneceu até 1644, como pintor contratado por Maurício de Nassau. Aqui realizou grande parte de sua obra, nela destacam-se naturezas-mortas com frutas e legumes tropicais, representações dos tipos humanos que habitavam o país e costumes. Ficou fascinado pelo o que encontrou no Brasil. 

Quase nenhuma informação sobreviveu a respeito de Eckhout. Ele ficou no Brasil por sete anos, de 1637 a 1644. O que fez antes é nebuloso, assim como o destino que teve após voltar à Europa. Quando os holandeses foram expulsos do Nordeste, Maurício de Nassau levou as telas consigo e as deu de presente ao seu primo, Frederico III, rei da Dinamarca. Isso explica por que elas pertencem ao museu nacional de Copenhague. Dom Pedro II tentou por duas vezes trazer os quadros para o Brasil, mas o máximo que conseguiu foram cópias reduzidas de seis deles.
ALGUMAS OBRAS DE AUTORIA DE ECKHOUT PROVENIENTES DO ACERVO DO MUSEU NACIONAL DE COPENHAGUE

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DE OLHO NO MERCADO

NÃO EXISTEM REGISTROS DE VENDA DE OBRAS A ÓLEO DE AUTORIA DE ALBERT ECKHOUT NOS ÚLTIMOS  35 ANOS, MAS PODEMOS ESTIMAR QUE UMA OBRA DELE VALERIA EM TORNO DE  10.416,66 MILHÕES DE USD HOJE O EQUIVALENTE A R$ 28.114,56 MILHÕES DE REAIS, VEJA E CONFIRA MATÉRIA DA REVISTA VEJA DE 18 DE SETEMBRO DE 2002 NO LINK ABAIXO

http://veja.abril.com.br/180902/p_124.html
Boa Leitura !
Martha Burle

Boas Vindas a Galeria um Olhar

 

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Olá !

Bem vindos a Galeria Um Olhar !
Este Blog não é apenas um espaço de comunicação virtual que repostará conteúdos já disponíveis na Web. Ele se propõe a muito mais do que isto.
É um convite a uma interação aonde poderemos reproduzir a realidade, em vez de simplesmente representá-la.
Ele tem enquanto objetivo e missão educar o olhar do visitante independente de sua idade, através da abordagem de qualquer expressão artística seja ela da Arte Antiga ou da Contemporânea, erudita ou ingênua, resgatando assim através das contemporaneidades a história do nosso Brasil dentro do importante contexto mundial e nacional destes períodos devolvendo a nossa integridade através da beleza, da arte e da cultura.
Quero convidar a todos os interessados sejam eles especialistas ou neófitos a interagir, seja ensinando ou aprendendo o que é arte.
Estou disposta a compartilhar o meu olhar de como examinar uma obra de arte. Como mensurar  o seu valor de mercado. Retirar dúvidas e agregar o compartilhamento do conhecimento de todos que pretendem interagir.
Sou convicta de que a beleza educa e que as nossas atitudes escreverão a nossa história e através delas poderemos construir um Brasil melhor. Um mundo melhor .
Afinal tudo é contemporâneo ao seu tempo.
Esta é a minha missão .
Este é o meu olhar.

Martha Burle

Antes de iniciar , quero homenagear os colecionadores e antiquários por seu incansável trabalho e investimento financeiro quem vem a possibilitar a recuperação e manutenção não só de nossa história, mas da história da humanidade contada em verso e prosa através de obras de arte e antiguidades que nele estarão contidas, assim como o incansável esforço de Paola Bonelli em proporcionar através deste portal Um Olhar um espaço plural ao alcance de todos.
Hoje postarei uma linha um pouco didática porém necessária para criar um “esqueleto” inicial do nosso Blog e fomentar as áreas de interesse e abordagem da nossa interação.
A cada dia desdobrarei cada um dos tópicos aqui citados e todos estão desde já convidados independente do tema do dia, a postar obras de arte e objetos ou temas  que queiram retirar dúvidas ou falar um pouco sobre eles..
Um esqueleto da História da Arte no Brasil
 
Brasil – Séc. XVII-XIX
Holandeses no Brasil
Na época em que os holandeses invadiram o nordeste brasileiro e lá permaneceram (de1630 a 1654), muitos artistas retrataram a paisagem, os índios, os animais, as flores e o cotidiano da região. Na época do governo de Mauricio de Nassau, chegam ao Brasil muitos pintores, entre eles o paisagista Franz Post (1612-1680). Este artista holandês usa técnicas de luz e cor típicas da pintura holandesa e retrata desta forma os cenários do Nordeste do Brasil, no século XVII.

Albert Eckhout (1610-1665)
Chegou ao Brasil em 1637 e permaneceu até 1644. Registrou os habitantes do Brasil, a fauna e a flora. Eckhout tornou-se conhecido principalmente pelo conjunto de suas telas a óleo sobre motivos brasileiros. Retratou habitantes negros, índios e mestiços do Brasil no século XVII e naturezas-mortas com frutas e vegetais tropicais ou cultivadas em solo brasileiros. Desenhou também inúmeros esboços de plantas e animais.

Barroco Sec. XVIII
O estilo barroco chega ao Brasil pelas mãos dos colonizadores, sobretudo portugueses, leigos e religiosos. Seu desenvolvimento pleno se dá no século XVIII, 100 anos após o surgimento do Barroco na Europa, estendendo-se até as duas primeiras décadas do século XIX. Como estilo, constitui um amálgama de diversas tendências barrocas, tanto portuguesas quanto francesas, italianas e espanholas.

Missão Artística Francesa
O século XIX no Brasil presencia mudanças profundas na história das artes plásticas em relação aos séculos anteriores, cujo sentido não pode ser compreendido sem referência à chamada Missão Artística Francesa. Em 26 de março de 1816 aporta no Rio de Janeiro um grupo de artistas franceses, liderados por Joachim Lebreton (1760 – 1819). Acompanham-no o pintor histórico Jean-Baptiste Debret (1768 – 1848), o paisagista Nicolas Taunay (1755 – 1830) e seu irmão, o escultor Auguste Marie Taunay (1768 – 1824). O objetivo é fundar a primeira Academia de Arte no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Debret enfatiza o que considera os diferentes momentos da marcha da civilização no Brasil: os indígenas e suas relações com o homem branco, as atividades econômicas e a presença marcante da mão de obra escrava e, por fim, as instituições políticas e religiosas.

Historicamente, além da importância da Missão Artística Francesa como fundadora do ensino formal de artes no Brasil, pode-se dizer que durante o tempo em que esses artistas permanecem no país, dentro ou não da Academia, eles ajudam a fixar a imagem do artista como homem livre numa
sociedade de cunho burguês e da arte como ação cultural leiga no lugar da figura do artista-artesão, submetido à Igreja e seus temas, posição predominante nos séculos anteriores.

Academicismo
No Brasil, a origem da arte acadêmica liga-se à criação da Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, inaugurada oficialmente em 1826, e marca o início do ensino superior artístico no Brasil. Os prêmios e bolsas de viagem ao exterior concedidos pela Aiba têm papel decisivo na formação de artistas como, por exemplo, Victor Meirelles (1832 – 1903) e Pedro Américo (1843 – 1905). Em linhas gerais, a arte acadêmica no país corresponde a um modelo neoclássico aclimatado, que tem de enfrentar as condições da natureza e da sociedade locais. Entre as várias alterações no modelo encontra-se o predomínio das paisagens entre os pintores acadêmicos no Brasil.

Antes que um estilo específico, o Academicismo é, estritamente falando, um método de ensino artístico profissionalizante de nível superior, equivalente ao ensino universitário moderno. No Brasil tal sistema foi introduzido no período de vigência do Neoclassicismo, estilo do qual foi um dos principais motores de difusão, e depois absorveu estéticas românticas, realistas, e outras que deram o tom à virada do século XIX para o XX.

Na arquitetura, a antiga Alfândega, hoje Casa França-Brasil, e o Solar Grandjean de Montigny, atualmente pertencente à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC/RJ, constituem exemplos de construção neoclássica no país. Nas composições de Victor Meirelles (1832 – 1903), por exemplo, observam-se afinidades com o espírito romântico de Géricault e Delacroix.

Na produção pictórica brasileira, não se encontram feições realistas como a de Courbet ou Millet. O realismo, no Brasil, encontra-se traduzido em paisagistas Benedito Calixto (1853 – 1927), Clóvis Graciano (1907 – 1988), José Pancetti (1902 – 1958), entre outros. Os tipos e costumes do interior paulista representados por Almeida Júnior (1850 – 1899) podem ser pensados também com base em uma orientação realista.

Ecletismo
O termo ecletismo denota a combinação de diferentes estilos históricos em uma única obra sem com isso produzir novo estilo. Tal método baseia-se na convicção de que a beleza ou a perfeição pode ser alcançada mediante a seleção e combinação das melhores qualidades das obras dos grandes mestres. Além disso, pode designar um movimento mais específico relativo a uma corrente arquitetônica do século XIX. No Brasil, no período de transição para o século XX, o ecletismo é a corrente dominante na arquitetura e nos planos de reurbanização das grandes cidades.

Em São Paulo, o primeiro monumento marcante do novo movimento arquitetônico é o Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga), projetado pelo arquiteto italiano Tommazio Bezzi e construído entre 1882 e 1885. A expansão e a modernização da cidade se dão sob o signo do ecletismo, realçando a atuação do engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo (1851 – 1928), responsável por inúmeros prédios públicos, entre eles a Escola Normal Caetano de Campos (1894), na praça da República, o Theatro Municipal (1903 – 1911) e o edifício do Liceu de Artes e Ofícios.

1860 – 1880
Impressionismo
Características do impressionismo:
*Saída do estúdio- observação da natureza a partir de
impressões pessoais e sensações visuais imediatas
*Cores- mistura de matizes na natureza, cores
complementares, contrastes fortes
*Formas- manchas, pinceladas fragmentadas e
justapostas, sem contorno e claro-escuro
*Luz- luminosidade do dia ao ar livre
*Recusa aos motivos históricos, mitológicos e religiosos consagrados pela tradição acadêmica

Os velhos chavões como “tema digno”, “composições equilibradas”, e “desenho correto” foram sepultados.

Artistas
• Édouard Manet (1832-1883)
• Claude Monet (1840-1926)
• Edgar Degas (1834-1917)
• Auguste Rodin (1880-1900)
• Camille Pissarro (1831-1903)
• Eadweard Muybridge (1830-1904)
• Etienne Jules Marey (1830-1904)

Édouard Manet (1832-1883)
Descobriu que se olharmos a natureza ao ar livre não vemos objetos individuais, cada um com sua cor própria, mas uma mistura de matizes, ele já não usava mais efeitos de luz e sombra de forma sutil como era feito em estúdio iluminado pela luz da janela, mas contrastes fortes e duros.

Claude Monet (1840-1926)
Ao pintar, em frente ao motivo ao ar livre, ele não podia ater-se a detalhes, tinha que pintar rapidamente com pinceladas velozes pois havia a influência do tempo, mudanças de luz, de clima. As paisagens de Monet privilegiam o movimento das águas e seus reflexos, explorados em regatas, barcos e portos.

Edgar Degas (1834-1917)
Pintava ângulos inesperados, estava interessado no jogo de luz e sombra sobre a forma humana, procurava formas de sugerir o movimento no espaço.

Pierre Auguste Renoir (1841-1919)
Pintava cenas da vida real usando cores brilhantes, e o efeito da luz do sol sobre a multidão.

Auguste Rodin (1840-1917)
Desprezava o acabamento externo em suas esculturas e deixava algo para ser completado pela imaginação do espectador.

Na cena cultural, vários eventos refletiram a influência do movimento e da velocidade como os estudos de movimento de Muybridge e Marey, eles estavam procurando uma maneira de fazer imagens em movimento a partir de fotografias sucessivas de um modelo se movendo.

Eadweard Muybridge (1830-1904)
Cria em 1877, um dispositivo que lhe permite captar todas as fases do movimento do cavalo e mostrar que, de fato, todos os cascos do animal podiam deixar o solo em um dado momento.

Etienne Jules Marey (França, 1830 -1904)
Enquanto Muybridge usava várias câmeras, Marey usava apenas uma e obtinha, sobre uma mesma placa fotográfica, verdadeiras decomposições do movimento. Ele foi o inventor da cronofotografia (1888) e o fuzil cronofotográfico que foi a base do desenvolvimento cinematográfico.

1880
Pós – impressionismo
O Pós-Impressionismo foi um desenvolvimento do Impressionismo e também uma reação a ele. Foram diferentes estilos que abriram caminho para as vanguardas do sec. XX.

Características:
• Os impressionistas observavam a Natureza
• Os Pós- impressionistas começaram a aplicar métodos científicos em suas pesquisas. Buscavam fundamentalmente trabalhar com a cor e a luz a partir de conhecimentos científicos, como a ótica. Nesse ponto, diferencia-se, portanto do Impressionismo, mais baseado na espontaneidade.

Georges Seurat (1859-1891)
Contribuiu para a pintura francesa ao introduzir uma técnica mais sistemática e científica, chamada divisionismo ou pontilhismo a que ele chamou Pintura Óptica. A técnica consiste em separar as cores, de maneira que, em vez de serem misturadas como pigmentos e aplicadas à tela, são, desde que as vejamos à distância certa, misturadas pelo olhar. As inúmeras manchas de cores puras que cobrem a tela são recompostas pelo olhar do observador. Pode-se dizer que a teoria do divisionismo foi o precursor da televisão e da imagem digital.

Em lugar do naturalismo e da preocupação com os efeitos momentâneos de luz, caros aos impressionistas, o quadro de Seurat expõe figuras de corte geométrico que se apresentam como manequins sobre um plano rigorosamente construído a partir de eixos horizontais e verticais. Os intervalos calculados entre uma figura e outra, as sombras formando ângulos retos e a superfície pontilhada atestam a fidelidade a um programa teórico apoiado nos avanços científicos da época.

A sensação de vibração e luminosidade decorre da “mistura ótica” obtida pelos pequenos pontos de cor de tamanho uniforme que nunca se fundem, mas que reagem uns aos outros em função do olhar à distância.

Paul Signac (1863 – 1935)
Trabalhou com Georges Seurat criando o pontilhismo (ou divisionismo). Signac desenvolve o pontilhismo em boa parte de sua obra. Só que em seus trabalhos os pontos e manchas se tornam mais evidentes e são dispostos de maneira mais dispersa, rompendo, nos termos do crítico Giulio C. Argan, a “linha melódica da cor”.

Paul Cézanne (1839-1906)
Sua ênfase está colocada no estudo da estrutura pictórica. É verdade que Cézanne nunca se inclinou às representações realistas e às impressões fugazes exploradas pelos impressionistas. Sua opção recaiu sempre sobre a análise estrutural da natureza, por meio de uma pintura que apela preferencialmente à mente e à consciência, e não à visão. O conhecimento da realidade em Cézanne não é contemplação, mas pesquisa metódica, em que as sensações visuais são filtradas pela consciência. Cézanne dá maior autonomia à composição por meio da ordenação dos planos e volumes cromáticos. Áreas de cor ou formas geométricas são estabelecidas objetivamente, para conduzir a estruturação da superfície nas paisagens, naturezas-mortas ou nos retratos. Os padrões são dados pelo quadro, não vêm do exterior.

Tanto Cézanne como Van Gogh deram um passo importante no abandono da finalidade da pintura como “imitação da natureza”.

Vincent van Gogh (1853-1890)
Suas cores intensas e pinceladas nervosas unem todas as partes da tela na mesma expressão com um efeito dramático inédito. Influenciado pela estampa japonesa, utiliza simples traços negros para dar a idéia de figura e abre mão da ilusão de profundidade .Ele queria que a sua pintura expressasse o que ele sentia e se a distorção o ajudasse a realizar este objetivo ele a utilizava.As pinceladas em redemoinho e a explosão de cores auxiliam a localizar o timbre expressionista da sua produção .

Paul Gauguin (1848-1903)
Depois de gastar um período curto com Vincent Gogh em Arles(1888), Gauguin abandonou a arte imitativa pela expressividade da cor. Gauguin descobre a novidade das obras de Cézanne e delas tira proveito particular. Explora, como ele, um estilo anti-naturalista, mas o faz pelo uso de áreas de cores puras e planas. A ida do pintor para o Taiti em 1891, abre suas pesquisas à cultura plástica dos primitivos, o que se revela no uso de cores vibrantes e na simplificação do desenho.

Gauguin, convencido de que a arte corria o perigo de se tornar leviana e superficial foi procurar nos nativos do pacífico a força e intensidade de sentimento e um modo direto de expressá-lo. As paisagens e pessoas que pinta no Taiti, por exemplo, apresentam cores cruas e formas simples. chapadas, transfigurando o exotismo da região.

Da insatisfação destes 3 artistas surgiram distintos movimentos artísticos posteriores. A obra de Cézanne encontra-se na raiz do cubismo de Picasso e Braque. Gauguin, por sua vez, influencia o movimento simbolista e a arte moderna voltada para o exótico e o primitivo. Finalmente, Van Gogh marca as orientações expressionistas futuras.

Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901)
Tenta conquistar uma linguagem autônoma com litogravuras que abandonam o acabamento clássico. Foi um dos que captou o espírito do mundo flutuante das gravuras Nipônicas. A composição plana das figuras, o destaque do primeiro plano, a perspectiva angulosa transformaram estas pinturas em cartazes da vida mundana Parisiense.

Art Nouveau
Final do séc. XIX- séc.XX

Estilo artístico que se desenvolve entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) na Europa e nos Estados Unidos, espalhando-se para o resto do mundo, e que interessa mais de perto às artes aplicadas: arquitetura, artes decorativas, design, artes gráficas, mobiliário e outras.
O Art Nouveau se insere no coração da sociedade moderna, reagindo ao historicismo da arte acadêmica do século XIX e ao sentimentalismo e expressões líricas dos românticos, e visa adaptar-se à vida cotidiana, às mudanças sociais e ao ritmo acelerado da vida moderna. A “arte nova” revaloriza a beleza, colocando-a ao alcance de todos, pela articulação estreita entre arte e indústria.
A fonte de inspiração primeira dos artistas é a natureza, as linhas sinuosas e assimétricas das flores e animais. O movimento da linha assume o primeiro plano dos trabalhos, ditando os contornos das formas e o sentido da construção. Os arabescos e as curvas, complementados pelos tons frios, invadem as ilustrações, o mundo da moda, as fachadas e os interiores.

Expressionismo
1905-1914

O termo possui um sentido histórico preciso ao designar uma tendência da arte européia moderna, enraizada em solo alemão, entre 1905 e 1914. O Expressionismo marca uma oposição ao impressionismo francês. À idéia de registro da natureza por meio de sensações visuais imediatas, cara aos impressionistas, o expressionismo contrapõe a expressão que se projeta do artista para a realidade.
Estamos distante das paisagens luminosas de Claude Monet (1840-1926), ou de uma concepção de arte ligada à mente, e não apenas ao olhar, como quer Paul Cézanne (1839-1906). Para os expressionistas a arte liga-se à ação, muitas vezes violenta, rejeitando a verossimilhança e criando as imagens com o auxílio de cores fortes e de formas distorcidas. Os artistas se distanciaram da beleza, eles respeitavam o sofrimento humano, a pobreza, violência, a paixão.
O filósofo alemão Friedrich Nietzsche(1844-1900), talvez o pensador moderno mais incômodo e provocativo, influenciou várias gerações e movimentos artísticos. O Expressionismo, que teve forte influência desse filósofo, contribuiu para o pensamento contrário ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico, através do embate entre a razão e a fantasia.
As obras desse movimento deixam de priorizar o padrão de beleza tradicional para enfocar a instabilidade da vida, marcada por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade.
O pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) é talvez a maior referência do expressionismo alemão. As obras de Van Gogh e Gauguin marcam decisivamente os trabalhos de Munch, em sua ênfase no sentido trágico da vida. A famosa tela O Grito (1893) fornece uma chave privilegiada para termos acesso ao seu universo. A pessoa de aspecto fantasmático em primeiro plano, define um foco que arrasta todo o cenário. As linhas deformadas da figura expandem-se pelo entorno, que participa da angústia do grito.
Existiram dois grupos que entre todos os movimentos são os mais facilmente identificados com o expressionismo. São eles: A Ponte (Die Brücke’), em Dresden (1905-1913); e O Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter), em Munique (1911-1914). Os primeiros eram mais agressivos e politizados e seus principais representantes são Ernst Ludwig Kirchner e Emil Nolde. O Cavaleiro Azul (que mais tarde se desdobrará e parte de seus membros virá a fazer parte da Bauhaus e do advento da abstração) eram mais voltados, em um primeiro momento, à espiritualidade da obra artística e seus principais membros são Vassíli Kandinsky, Paul Klee.
Se agora o que importava na arte não era mais a imitação da natureza, mas a expressão de sentimentos através da escolha de cores e linhas, então porque a arte não poderia ser mais pura, eliminando os temas, e criando efeitos de tons e formas.
Wassily Kandinsky em Munique foi o primeiro a criar a arte abstrata. Em 1922 ele entrou para a Bauhaus em Weimar onde pesquisou as relações entre formas e cores e seus efeitos psicológicos e espirituais.
Paul Klee caracterizava tudo a partir da linha, suas expectativas numa obra de arte era com relação à harmonia pictórica que ele via como equilíbrio entre movimento e contra-movimento.

Bauhaus 1919 – 1933
“Criemos uma nova guilda/classe de artesãos, sem as distinções de classe que erguem uma barreira de arrogância entre o artista e o artesão”, declara o arquiteto germânico Walter Adolf Gropius (1883 – 1969), quando inaugura a Bauhaus, em 1919. arquitetura, as artes ou a indústria.
O termo é literalmente “casa (haus) para construir (bauen)”
A Bauhaus ocupa um lugar próprio na história cultural do século XX, arquitetura, design, arte e novas mídias. No momento em que a sociedade industrial estava em crise, a Bauhaus se perguntava como o processo de modernização poderia ser dominado pelo design. O objetivo do curso era formar designers capacitados para trabalhar com criatividade em diversos campos como a arquitetura, as artes ou a indústria.

Características da Bauhaus:
• as pesquisas formais e as tendências construtivistas realizadas com o máximo de economia na utilização do solo e na construção;
• a atenção às características específicas dos diferentes materiais como madeira, vidro, metal e outros;
• a idéia de que a forma artística deriva de um método, ou problema, previamente definido o que leva à correspondência entre forma e função;
• e o recurso das novas tecnologias.

A ascensão do nazismo na Alemanha, a partir de 1933, causará o fechamento da Escola de Bauhaus, e seus professores e alunos serão perseguidos pelo Estado, que considerará a arte por esses produzida como um elemento degenerado e degenerador.

Os professores de Bauhaus mais proeminentes eram:
Pintores
Vassily Kandinsky , Paul Klee , László Moholy-Nagy,
Josef Albers

Arquitetos
Walter Gropius , Ludwig Mies Van der Rohe , Hannes Meyer

Escultores
Otto Werner, Josef Hartwig

Cubismo 1907- 1914
Considerado um divisor de águas na história da arte ocidental, o cubismo recusa a idéia de arte como imitação da natureza, afastando noções como perspectiva e modelagem, assim como qualquer tipo de efeito ilusório.
O nome do movimento surgiu quando o crítico Louis Vauxcelles citando as composições do Braque fala sobre uma realidade plástica construída com “cubos” no jornal Gil Blas, 1908

Características
• sem perspectiva e sem representação da natureza.
• nivelamento da hierarquia espacial como negação da noção tradicional de que na pintura o objeto é mais importante que o fundo.
• múltiplas perspectivas- Cubos, volumes e planos geométricos entrecortados reconstroem formas que se apresentam, simultaneamente, de vários ângulos nas telas.

A ruptura empreendida pelo cubismo encontra suas fontes primeiras na obra de Paul Cézanne (1839-1906) – e em sua forma de construção de espaços por meio de volumes e da decomposição de planos – e também na arte africana, máscaras, fotografias e objetos.

O CUBISMO
1907-1912: cubismo analítico -preocupação predominante com as pesquisas estruturais, por meio da decomposição dos objetos e do estilhaçamento dos planos, e forte tendência ao monocromatismo.
A partir de 1912: cubismo sintético, as cores se acentuam e a ênfase dos experimentos é colocada sobre a recomposição dos objetos. Elementos heterogêneos – recortes de jornais, pedaços madeira, cartas de baralho, caracteres tipográficos, entre outros –são agregados à superfície das telas, dando origem às famosas colagens.

Pablo Picasso (1881-1973)
Georges Braque (1882-1963)

Constantin Brancusi (1876-1957)
Optou por fazer obras simples com formas puras fazendo uso de elementos básicos. Ele foi para a escultura moderna o que Picasso foi para a pintura.

Futurismo 1909- 1914
O primeiro manifesto foi publicado no Le Fígaro de Paris, em 22/02/1909, e nele, o poeta italiano Marinetti, dizia que “o esplendor do mundo enriqueceu-se com uma nova beleza: a beleza da velocidade”. O segundo manifesto, de 1910, resultou do encontro do poeta com os pintores Carlo Carra, Russolo, Severini, Boccioni e Giacomo Balla. Houveram vários manifestos até 1924.
Os futuristas saúdam a era moderna, aderindo entusiasticamente à máquina. Para Balla, “é mais belo um ferro elétrico que uma Escultura grega”.
Procura-se neste estilo expressar o movimento real,
registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. O artista futurista não está interessado em pintar um automóvel, mas captar na forma plástica a velocidade descrita por ele no espaço.
A exaltação da máquina e da “beleza da velocidade”, associadas ao elogio da técnica e da ciência, tornam-se emblemáticas da nova atitude estética e política. Uma nova sensibilidade, condicionada pela velocidade dos meios de comunicação, estána base das novas formas artísticas futuristas.

Umberto Boccioni (1882-1916)
Em Formas inéditas continuas no espaço, Boccioni coloca a velocidade e a força em forma escultural. Ultrapassando os limites do corpo, suas linhas ondulam encurvam-se e agilizam -se, como se moldada pelo vento durante o seu transcurso. Estudou a musculatura humana. O resultado é um retrato tridimensional de um corpo poderoso em ação.

Giacomo Balla (1871-1958)

Dadaísmo 1916-1921
Movimento formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que, se tivessem permanecido em seus respectivos países, teriam sido convocados para o serviço militar. O Dada foi um movimento de negação. Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra.

O grupo fundou um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências, religião, filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil “cavalo de pau”. Esse nome escolhido não fazia sentido, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidadeda guerra.

Sendo a negação total da cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos. Politicamente , firma-se como um protesto contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra.

MARCEL DUCHAMP (1887-1968), pintor e escultor francês, sua arte abriu caminho para movimentos como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo a sua maneira, interessando-se pelo movimento das formas.

Nú descendo a escada, 1911
Esta pintura foi rejeitada no Salão de Outono de Paris, mas foi exposta na exposição cubista em Barcelona e em Paris no Salon de la Section d’Or. Em 1912 ele a apresentou no ArmoryShow em New York e fez enorme sucesso, este evento foi responsável pela introdução da arte moderna nos Estados Unidos.

O experimentalismo e a provocação o conduziram a idéias radicais em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique, 1916). Duchamp criou os ready-mades, objetos industrializados escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção e receberem
um título, adquiriam a condição de objeto de arte.
Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que chamou de “Fonte”. Depois fez interferências, pintou bigodesna Mona Lisa, para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional, e inventou mecanismos ópticos.

Metafísica 1917
Corrente pictórica italiana, que se define a partir do encontro entre Giorgio de Chirico (1888-1978) e Carlo Carrà (1881-1966) em Ferrara, 1917. Nesse momento, os pintores cunham o termo “pintura metafísica”.

De Chirico já ensaia o novo estilo desde 1910, numa recusa decidida ao futurismo, tanto às suas soluções formais, quanto àideologia política e nacionalista que ampara o movimento. A arte de De Chirico apresenta, já aí, uma face metafísica: coloca-se como exterior à temporalidade, como negação do presente, da realidade natural e social. Nada mais distante das motivações futuristas, que anseiam pela aceleração do tempo e pela transformação da sociedade.

Surrealismo
O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico. A importância do mundo onírico, do irracional e do inconsciente se relaciona diretamente ao uso livre que os artistas fazem da obra de Sigmund Freud (1856-1939) e da psicanálise, permitindo-lhes explorar nas artes o imaginário e os impulsos ocultos da mente.

A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou historicamente o nascimento do movimento. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística.
Breton define Surrealismo: “Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento”.

Salvador Dalí (1904-1989) radicaliza a idéia de libertação dos instintos e impulsos contra qualquer controle racional pela defesa do método da ‘paranóia crítica’, forma de tornar o delírio um mecanismo produtivo, criador. A crítica cultural empreendida pelos surrealistas, baseada nas articulações arte/inconsciente e arte/política, deixa entrever sua ambição revolucionária e subversiva, amparada na psicanálise.

Joan Miro (1893-1983)
A pintura O Carnaval de Arlequim, 1924-25, inaugurou uma linguagem cujos símbolos remetem a uma fantasia inocente, sem as profundezas das questões surrealistas.

Man Ray (1890-1976) em 1921 encontra o movimento surrealista na pintura. Trabalha como fotógrafo para financiar a pintura e, com a nova atividade, desenvolve a sua arte, a raiografia, ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico.qual inverte parcialmente os tons da fotografia.

Em 1993, a foto “GLASS TEARS“, 1932, de MAN RAY, torna-se a fotografia mais cara
do mundo, ultrapassando o valor de 65 mil dólares.
Um olho feminino, com esferas de vidro na face, significando lágrimas…

Suprematismo
1913-1925
Movimento russo de arte abstrata que surge por volta de 1913, mas cuja sistematização teórica data de 1925 e do manifesto Do cubismo ao futurismo ao suprematismo: o novo realismo na pintura, escrito por Kazimir Malevich (1878-1935) em colaboração com o poeta Vladímir Maiakóvski (1894-1930).
O suprematismo de Malevich vai defender uma arte livre de finalidades práticas e comprometida com a pura visualidade plástica. Se a arte de Malevich possui pretensão espiritual, ela não se confunde com a defesa do espiritual na arte que faz
Wassily Kandinsky (1866-1914), que o define como “expressão da vida interior do artista”. Malevich, ao contrário, se detém na pesquisa metódica da estrutura da imagem, que coincide com a busca da “forma absoluta”, da molécula pictórica.

Neoplasticismo 1917-1928
(abstração geométrica)

O termo liga-se diretamente às novas formulações plásticas de Piet Mondrian (1872-1944) e Theo Van Doesburg (1883-1931) e sua origem remete à revista De Stijl (O Estilo) criada pelos dois artistas holandeses em 1917, em cujo primeiro número Mondrian publica A nova plástica na pintura.

O movimento se organiza, segundo Van Doesburg, em torno da necessidade de “clareza, certeza e ordem” e tem como propósito central encontrar uma nova forma de expressão plástica, liberta de sugestões representativas e composta a partir de elementos mínimos: a linha reta, o retângulo e as cores primárias – azul, vermelho e amarelo – além do preto, branco e cinza.
O neoplasticismo de Mondrian dispensa os detalhes e a variedade da natureza, buscando o princípio universal sob a aparência do mundo. Menos que expressar as coisas naturais, sua arte visa, segundo ele, a “expressão pura da relação”.

Construtivismo
1919 – 1934
O termo construtivismo liga-se diretamente ao movimento de vanguarda russa. No construtivismo a pintura e a escultura são pensadas como construções e não mais como representações, esta é uma influência do Cubismo que rompera com a representação Renascentista.

Os artistas construtivistas acreditavam que deveriam fazer arte utilizando formas e processos da tecnologia moderna. Esculturas eram “construídas” usando técnicas e materiais industriais, e na pintura formas abstratas eram usadas para criar estruturas das máquinas tecnológicas.

Principais artistas
• Vladimir Tatlin
• Alexander Rodchenko
• Antoine Pevsner
• Naum Gabo

Vladimir Tatlin (1885-1953)
O artista expressou suas idéias a partir de construções tridimensionais com “materiais reais” em “espaço real” .Utilizou papel, madeira, vidro, metal, tecido nas suas obras. Os artistas agora eram também pesquisadores, engenheiros, construtores de arte.

Alexander Rodchenko (1891-1956)
Estudou Malevich e Tatlin, criando obras abstratas geométricas e utilizando materiais diversos. Depois abandonou a pintura dedicando-se à fotografia e ao design.

Arte no Brasil – Séc. XIX e XX

Academicismo
No Brasil, a origem da arte acadêmica liga-se à criação da Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, inaugurada oficialmente em 1826, e marca o início do ensino superior artístico no Brasil. Os prêmios e bolsas de viagem ao exterior concedidos pela Aiba têm papel decisivo na formação de artistas como, por exemplo, Victor Meirelles (1832 – 1903) e Pedro Américo (1843 – 1905). Em linhas gerais, a arte acadêmica no país corresponde a um modelo neoclássico aclimatado, que tem de enfrentar as condições da natureza e da sociedade locais. Entre as várias alterações no modelo encontra-se o predomínio das paisagens entre os pintores acadêmicos no Brasil.

Antes que um estilo específico, o Academicismo é, estritamente falando, um método de ensino artístico profissionalizante de nível superior, equivalente ao ensino universitário moderno. No Brasil tal sistema foi introduzido no período de vigência do Neoclassicismo, estilo do qual foi um dos principais motores de difusão, e depois absorveu estéticas românticas, realistas, e outras que deram o tom à virada do século XIX para o XX.

Na produção pictórica brasileira, não se encontram feições realistas como a de Courbet ou Millet. O realismo, no Brasil, encontra-se traduzido em paisagistas Benedito Calixto (1853 – 1927), Clóvis Graciano (1907 – 1988), José Pancetti (1902 – 1958), entre outros. Os tipos e costumes do interior paulista representados por Almeida Júnior (1850 – 1899) podem ser pensados também com base em uma orientação realista.

O modernismo no Brasil tem como marco simbólico a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, no ano de 1922, considerada um divisor de águas na história da cultura brasileira. O evento – organizado por um grupo de intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência – declara o rompimento com o tradicionalismo cultural associado às correntes literárias e artísticas anteriores.

A defesa de um novo ponto de vista estético e o compromisso com a independência cultural do país fazem do modernismo sinônimo de “estilo novo”, diretamente associado à produção realizada sob a influência de 1922. Heitor Villa- Lobos (1887 -1958) na música; Mário de Andrade (1893 – 1945) e Oswald de Andrade (1890 – 1954), na literatura; Victor Brecheret (1894 -1955), na escultura; Anita Malfatti (1889 – 1964) e Di Cavalcanti (1897 – 1976), na pintura, são alguns dos participantes da Semana, realçando sua abrangência e heterogeneidade.

(Antonio Candido).

Alfredo Volpi não participou dos movimentos modernistas da década de 20, apoiados pela elite brasileira. Manteve-se à parte desses grupos. Não teve acesso aos mestres europeus, como era comum na época.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a América Latina passa por um forte surto desenvolvimentista e industrial. No Brasil, são fundados o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ e de São Paulo – MAM/SP, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp e a Bienal Internacional de São Paulo.

Arte Concreta
A arte concreta é herdeira das pesquisas do grupo De Stijl [O Estilo], 1917/1928, de Piet Mondrian (1872 – 1944) e VanDoesburg, que busca a pureza e o rigor formal na ordem harmônica do universo. Além disso, parte de ideais da Bauhaus, 1919-1933, nos quais a racionalidade deve estar presente em todos os âmbitos sociais e nas conquistas da arte democratizadas pela indústria.

Na história da Literatura brasileira, a Poesia Concreta foi criada por autores como Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos com o objetivo de mudança, visando um novo tipo de expressão, baseada em princípios experimentalistas. A Poesia Concreta vê importância no espaço gráfico-visual e valoriza os elementos constitutivos da palavra. A função poética estácentrada na mensagem.

A Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada em 1956/1957, reúne, além dos artistas do Grupo Ruptura, alunos de Ivan Serpa (1923 – 1973), que leciona pintura no MAM/RJ e de onde surge o Grupo Frente, formado por Décio Vieira (1922 – 1988), e Hélio Oiticica (1937 – 1980). Participam também, entre outros, Lygia Pape (1927 – 2004), Lygia Clark (1920 – 1988), Amilcar de Castro (1920 – 2002) e Franz Weissmann (1911 – 2005).

Parangolés
Oiticia propõe ao espectador (agora participante) em lugar de meramente contemplar a cor, vestir-se nela. Este simples ato, que libera o participante do domínio da sensação visual, produz uma “maravilhosa sensação de expansão”, criada pela incorporação dos elementos da obra numa vivência total do espectador.

Lygia Clark (1920-1988)
A artista se dedicou durante quatro anos ao estudo das possibilidades transformadoras dos bichos, objetos compostos por placas metálicas e por dobradiças (eles oscilam entre a figuração e a abstração). Ao acionar as dobradiças, o espectador cria um jogo de movimentos que dá aos objetos qualidades de seres orgânicos, o que é confirmado pela escolha do nome dos trabalhos feita pela artista.

Abraham Palatinik
Aparelho cinecromático,1955 Com uma técnica inovadora, apoiada em seus conhecimentos técnicos, científicos e artísticos, Palatnik introduziu pela primeira vez na história da arte a possibilidade de se “pintar” com a luz e movimento.

Expressionismo Abstrato
1940-1950

Expressionismo abstrato refere-se a um movimento artístico que tem lugar em Nova York, no período imediatamente após a 2ªGuerra Mundial. Trata-se do primeiro estilo pictórico norte-americano a obter reconhecimento internacional. Os Estados Unidos surgem como nova potência mundial e centro artístico emergente, beneficiado, em larga medida, pela emigração de intelectuais e artistas europeus.

A recusa dos estilos e técnicas artísticas tradicionais, assim como a postura crítica em relação à sociedade e ao establishment americano, aproxima um grupo bastante heterogêneo de pintores e escultores, entre os quais Jackson Pollock (1912-1956), Mark Rothko (1903-1970), Willem de Kooning (1904-1997), Ad Reinhardt (1913-1967).

Pollock retira a tela do cavalete, colocando-a no solo. Sobre ela, a tinta é gotejada e/ou atirada ao ritmo do gesto do artista, que gira sobre o quadro ou se posta sobre ele. A nova atitude, física inclusive, do artista diante da obra subverte a imagem do pintorcontemplativo e mesmo a do técnico ou desenhista industrial que realiza o trabalho de acordo com um projeto prévio. A obra de arte, fruto de uma relação corporal do artista com a pintura, nasce da liberdade de improvisação, do gesto espontâneo, da expressão de uma personalidade individual.

Os emaranhados de linhas e cores que explodem nas telas de Pollock afastam qualquer idéia de mensagem a ser decifrada. Do mesmo modo que os quadros de Rothko, com suas faixas de pouco brilho e sutis passagens de tons, ou mesmo as soluções figurativas de De Kooning, não querem oferecer uma chave de leitura. A ausência de modelos, a idéia de espontaneidade relacionada ao trabalho artístico e o gesto explosivo do pintor que desintegra a realidade não impede a localização de problemáticas que pulsam nas obras produzidas.

Pop art- 1960
Na década de 1960, os artistas defendem uma arte popular (pop) que se comunique diretamente com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que cerca a cultura de massa e a vida cotidiana. A defesa do popular traduz uma atitude artística contrária ao hermetismo da arte moderna. Nesse sentido, a arte pop se coloca na cena artística que tem lugar em fins da década de 1950 como um dos movimentos que recusam a separação arte/vida.

As bases da nova forma de expressão artística se aproveita das mudanças tecnológicas e da ampla gama de possibilidades colocada pela visualidade moderna, que está no mundo – ruas e casas – e não apenas em museus e galerias.
Sem programas ou manifestos, seus trabalhos se afinam pelas temáticas abordadas, pelo desenho simplificado e pelas cores saturadas. A nova atenção concedida aos objetos comuns e àvida cotidiana encontra seus precursores na anti-arte dos dadaístas e surrealistas.

Arte Óptica/ Op art
período entre 1965 e 1968
A arte óptica se auto classifica como arte cinética por solicitar a interação perceptiva do espectador.
O que ocorre nessa interação perceptiva é que o espectador reconhece um movimento que não existe na obra em sua realidade concreta, ele não é sequer representado. Ou seja: como espectadores temos a sensação de um movimento real, mesmo sabendo que a obra não se move.

As ilusões ópticas de movimento acontecem quando a nossa percepção é convidada a transitar por determinados efeitos como nas composições em que figura e fundo se confundem, ou linhas e formas repetidas que parecem vibrar na superfície plana.
A op art inaugura relações bem particulares do artista com seu público, na medida em que o processo de criação se passa no olhar do espectador e depende dele para ser concluída.

Os principais artistas são: Vassarely, Jesus Soto, Cruz Diez.

O húngaro Victor Vasarely (1908- 1997) , em sua fase Preto e Branco, serve-se extensamente do jogo de figura e fundo. Com o objetivo de explorar efeitos visuais, ele analisa alguns princípios da psicologia da Gestalt, ciência que orienta seu trabalho. Ele encontra na estrutura básica da forma, ponto e quadrado e da cor, praticamente preto e branco sua fonte de criação.

O venezuelano Jésus Raphael Soto (1923-2005) começa, por volta de 1951, o artista cria as primeiras obras em que elementos dispostos em série no espaço produzem efeitos de movimento virtual e vibração, através da repetição dos elementos formais. Nas repetições ópticas, ele desenvolveu trabalhos em alto relevo, o que fez com que ficasse entre o status de pintor e o de escultor.

Arte Cinética
A especificidade da arte cinética, dizem os estudiosos, é que nela o movimento constitui o princípio de estruturação. O cinetismo rompe assim com a condição estática da pintura, apresentando a obra como um objeto móvel, que não apenas traduz ou representa o movimento, mas está em movimento.
O termo móbile é datado de 1932, mas pode-se também aplicá-lo a trabalhos anteriores a esta data. É difícil sugerir um ponto de partida para esta classe de trabalhos em que a expectativa do movimento estava tão presente. A maioria dos móbiles é construída com materiais leves, e eles eram pendurados no teto. Alguns eram fixos e iam e vinham por meio do impulso do espectador.

ALEXANDER CALDER (1898-1976)
Alexander Calder foi um artista da forma e do equilíbrio, que aliou com perfeição, arte e técnica. Com lâminas de metal e arame criou “esculturas em movimento”, os móbiles, que lhe atribuíram grande popularidade.

A obra interativa perceptiva começa agora a dar espaço para as propostas que exigem mais do espectador do que apenas sua percepção visual. A intenção dos artistas é que a obra se transforme em relação ao posicionamento, ao movimento e a manipulação do espectador. Os trabalhos ligados à essa corrente foram denominados obras ópticas transformáveis e manipuláveis.

Julio LeParc 1928-
Estabeleceu uma nova linguagem, utilizando luz, percepção, movimento e ilusão.

Arte Contemporânea
As novas orientações artísticas, apesar de distintas, partilham um espírito comum: são, cada qual a seu modo, tentativas de dirigir a arte às coisas do mundo, à natureza, à realidade urbana e ao mundo da tecnologia. As obras articulam diferentes linguagens -dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc., desafiando as classificações habituais, colocando em questão o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte. Instalações, performances, land art, body art…

É importante lembrar que o uso de novas tecnologias – vídeo, televisão, computador etc. – atravessa parte substantiva da produção contemporânea, trazendo novos elementos para o debate sobre o fazer artístico.